
De Curitiba
Os responsáveis por uma tragédia que causou quatro vezes mais mortos e cinco vezes mais feridos que qualquer um dos acidentes aéreos internacionais recentes estão perto de ficar, para o resto da vida, impunes.
O caso acontece no Paraguai.
Neste sábado, 1º de agosto, completam-se cinco anos do gigantesco incêndio do supermercado Ykuá Bolaños, no populoso bairro de Santíssima Trindade, em Assunção, capital do país.
Há uma semana, quando presente naquela capital para cobertura da Cúpula dos Presidentes do Mercosul, este blogueiro esteve no trágico sítio, hoje informalmente transformado num memorial e num santuário mantidos por familiares das vítimas.
Foram 400 mortos, entre crianças, adultos e velhinhos, carbonizados. Outras 500 pessoas, também entre niños e niñas, abuelos e abuelas, sobreviveram, todavia se feriram gravemente - alguns chegaram a perder partes do corpo.
As fotos expostas no memorial são chocantes.
Os parentes dos vitimados contam que naquele 1º de agosto de 2004, um domingo, havia promoções no supermercado, principalmente de pães e carnes. Por isso, o estabelecimento estava lotado.
- Aqui é um bairro popular, não havia outro supermercado por perto, então muito gente estava aí a fazer compras, aproveitar os preços baixos - conta uma voluntária do grupo que luta pela condenação dos culpados e que semanalmente realiza manifestações em Assunção.
Essa mesma senhora narra a história: o fogo, fulminante, surgiu na padaria, e rapidamente se espalhou por todo o prédio (é possível, pois, imaginar a correria, o desespero que se formou).
Agora, o que causa indignação: as testemunhas conseguiram provar que a direção do supermercado mandou deixar, em pleno tumulto, apenas uma saída liberada.
- Não se preocuparam em salvar as pessoas, e sim em impedir que alguma mercadoria fosse levada, então ordenaram que as portas fossem fechadas -, relata a voluntária, advertindo que os donos da rede são empresários poderosos no país.
- Desde muitos anos antes do incêndio já se havia provado que as instalações estavam mal feitas e que precisavam ser reformuladas, porém nenhuma providência foi tomada - continua ela.
Devem ser mesmos poderosos esses empresários, pois o processo se arrasta e, se não houver um desfecho até esta sexta-feira, 31 de julho, por completar cinco anos, vai caducar.
O presidente Fernando Lugo, nesta semana, enviou carta ao presidente da Corte Suprema, Antônio Fretes, apelando para que o Judiciário não deixe o processo se extinguir. Pressionado pelas mobilizações, o Senado aprovou manifesto semelhante do Legislativo.
A Agência de Notícias Jaku'eke vai acompanhar de perto a vigília, os protestos destes próximos dias. Então, acessa lá (www.jakueke.com), conheça mais detalhes do fato e contribua, ainda que à distância, nessa batalha por justiça.