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quarta-feira, 13 de maio de 2015

Abolição, 13 de maio: exploração do trabalho é proibida, mas cultura escravocrata insiste em existir

Nos últimos 12 anos, fiscalização de combate ao trabalho escravo se intensificou

Vira-e-mexe as redes sociais escancaram o pensamento escravagista de uma parcela, minoritária mas poderosa ou influente, da sociedade nacional. CONTINUE LENDO

terça-feira, 13 de maio de 2014

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Dia de kizomba

Em 1988, a homenagem da Vila Isabel (foto: O Dia)
De Curitiba

Há 25 anos, a Vila Isabel conquistava seu primeiro título no grupo especial do carnaval do Rio de Janeiro com um samba-enredo e desfile que entraram para a história.

Era 1988, centenário da abolição da escravatura, e o samba e o desfile da Vila Isabel procuraram demonstrar que a lei áurea, a qual oficialmente colocava fim à barbárie institucionalizada, advinha após séculos de luta e sofrimento.

Não se tratava, portanto, de simples remissão por parte da elite branca.

(Relembre o desfile acessando aqui)

O enredo da Vila Isabel, de autoria de Martinho da Vila, e o samba, criação de Rodolpho, Jonas e Luís Carlos da Vila, 25 anos atrás exaltavam a figura e o legado de Zumbi dos Palmares, assassinado pelas forças do império em 20 de novembro de 1695 – daí a data em que se comemora o Dia da Consciência Negra.

(Um pouco da história da luta de Zumbi e do povo do Quilombo dos Palmares pode ser conferida aqui).

Ao samba-enredo, pois:


Kizomba, festa da raça

Valeu Zumbi!
O grito forte dos Palmares
Que correu terras, céus e mares
Influenciando a abolição

Zumbi valeu!
Hoje a Vila é Kizomba
É batuque, canto e dança
Jongo e maracatu
Vem menininha pra dançar o caxambu (bis)

Ôô, ôô, Nega Mina
Anastácia não se deixou escravizar
Ôô, ôô Clementina
O pagode é o partido popular

Sacerdote ergue a taça
Convocando toda a massa
Neste evento que congraça
Gente de todas as raças
Numa mesma emoção
Esta Kizomba é nossa Constituição (bis)

Que magia
Reza, ajeum e orixás
Tem a força da cultura
Tem a arte e a bravura
E um bom jogo de cintura
Faz valer seus ideais
E a beleza pura dos
seus rituais

Vem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
e que o "apartheid" se destrua

Valeu!

Leia também:

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Requião: os malditos 300 anos de escravidão



De Curitiba

"Foram três séculos de escravidão negra no Brasil. Malditos 300 anos. Tão amaldiçoados que nem os próximos 300 anos serão suficientes para purificar o país da crueldade contra um povo, condenado ao opróbrio por causa da cor da pele.

Talvez soubéssemos mais ainda sobre essa vergonha se os arquivos da escravatura no país não tivessem sido destruídos. É como age a nossa elite branca e racista, é como a casa grande escreve a história.

Foi assim também que ela agiu depois da ditadura de 1964-1985, queimando arquivos, escondendo corpos, tentando apagar mais um capítulo de seu infamante e maldito mando.

A queima dos arquivos da escravatura impede-nos de saber com exatidão quantos negros foram sequestrados na África; quantos morreram no transporte; quantos morreram nos primeiros tempos do cativeiro, pela violência do tratamento, pela inadequação ao trabalho forçado ou das lembranças da liberdade, das tristezas da sujeição. E quantos foram assassinados pelos senhores, pelos sinhozinhos e sinhazinhas? E quantas Baronesas de Grajaú cegaram e assassinaram seus negros?

Não sabemos muito, queimaram os arquivos, como a ditadura o fez, porque a desmemória é também um instrumento de dominação

A história brasileira da infâmia, pinçada na verdade dos fatos, talvez pudesse começar com a chegada dos africano aos portos brasileiros. Assim que desembarcados, eram submetidos a dois rituais, a duas sinalizações: eram ferrados e marcados em brasa e, batizados. Marcados na pele e marcados na alma, estavam aptos para serem admitidos nas senzalas e na bem-aventurada comunidade cristã, estavam habilitados ao cativeiro e aos reinos dos céus.

(...)

As sementes da dor espalham-se e germinam por todo canto da terra brasileira. A história de nossa infâmia prolonga-se, estende-se, ultrapassa os trezentos anos do cativeiro dos negros.

As sementes da dor marcam o passado e marcam o presente"

Se você quiser refletir, refletir mesmo, sobre a história do Brasil - a história passada, a história presente - sugiro assistir a este discurso do senador Roberto Requião, proferido na sessão deste 13 de maio do Senado da República.