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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

"Quando vi você passar"...O histórico show na Portela

Paulinho, Marisa e a Velha Guarda, encantando a Portela (foto: Ricardo Almeida/Portela)
De Curitiba

O show foi sábado, no Rio, e a esta altura já é quase quarta, e escrevo de Curitiba.

Mas impossível não retomar as escritas neste blog sem deixar de registrar o privilégio de ter presenciado um dos momentos históricos do samba - melhor, da música, da cultura, da arte brasileira.

Falo do encontro entre Velha Guarda da Portela, Paulinho da Viola e Marisa Monte, na sede da escola de Osvaldo Cruz, na noite do último dia 14.

Chegamos e o espetáculo já tinha começado, no entanto nem o atraso nem a dificuldade de encontrar um espaço para se acomodar na lotada quadra diminuíram a emoção do episódio.

Com seus clássicos, Paulinho da Viola puxou um coro de milhares de vozes; Marisa Monte foi recebida pelo povo com um carinho ímpar; a Velha Guarda garantiu o miudinho e a raiz do samba.

O encerramento, ao som de "Foi um rio que passou em minha vida", foi exatamente isto: um rio que passou em nossas vidas e levou nosso coração, que com muito prazer se deixou levar.

A festa seguiu pela madrugada de domingo com a bateria, passistas e o intérprete da escola, Wantuir, a contagiar a quadra com sambas clássicos - boa parte da Portela, e alguns das co-irmãs também.  

Ah, minha Portela...

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

No Dia do Samba, uma dica de filme


De Curitiba

2 de dezembro é o Dia do Samba, comemorado há 51 anos.

Aqui vai uma dica pra você conhecer um pouco dessa arte: “O mistério do samba”, filme de 2008 ao qual você assiste clicando aí em cima.

O documentário mergulha no universo da Velha Guarda da Portela e foi idealizado e conduzido pela cantora Marisa Monte, depois de pesquisas e entrevistas feitas por ela durante quase dez anos.

Além de muito samba, claro, o filme traz histórias extraordinárias.

Destaco duas passagens.



A primeira, quando Argemiro – que veio a morrer em 2003, antes do documentário ficar pronto – relembra o dia em que foi apresentado, por Paulinho da Viola, a Chico Buarque e Vinícius de Moraes.

Chico e Vinícius, admirados com os elogios que Paulinho fazia de Argemiro, resolveram checar se o crioulo tinha mesmo todo aquele talento exaltado. E então lançaramm o desafio: “Argemiro, se você é bom mesmo, faz um samba agora, sobre qualquer coisa – sobre esta garrafa, por exemplo”.

A resposta, dada com simplicidade, foi para não deixar dúvidas: “Não posso fazer um samba sobre essa garrafa, porque não tô sentindo nada por ela. Pra fazer um samba tem que sentir alguma coisa, ter inspiração".

Não ficou só nisso.

Argemiro voltou pra casa e, inspirado naquele encontro, fez um samba. Um samba sobre o que é fazer um samba. Confere lá no documentário...

A outra passagem é uma conversa entre Marisa Monte e Paulinho da Viola.

A ideia de fazer o filme veio quando Marisa estudava a obra de sambistas portelenses para um disco que gravaria só com músicas da Velha Guarda. Já no final do documentário, Marisa Monte revela a Paulinho: "Eu sabia que a vida seria melhor depois da Velha Guarda”.

Está certa essa Marisa Monte.