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domingo, 24 de março de 2013

O xoque de jestão em Santos já dá choque

Prefeito tem ido às comunidades. Mas governado para os ricos (foto: PMS)
De Curitiba

Bem que tentei dar um crédito ao novo prefeito, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB). Eleito direto no primeiro turno com 57% dos votos, tem (tinha, pelo menos) respaldo popular –  que respeitássemos, então, a vontade do povo, que é soberana.

Além disso, ao que parece, possui sincero carinho pela cidade. Diferentemente dos tucanos em geral, é carismático; embora seja piá de prédio, aparenta se sentir bem no meio do povo; e se diz(ia) comprometido em erradicar as palafitas da Zona Noroeste e os cortiços do Centro Velho, problemas sociais históricos de Santos.

Mas que nada: passado o primeiro trimestre da gestão e as decepções se acumulam.

Primeiro, Paulo Alexandre Barbosa continua a deixar o poder público municipal cada vez mais subserviente aos interesses do poder econômico local.

Em vez de obrigar, por exemplo, o Grupo Constantino a devolver os cobradores aos ônibus da cidade, determinou que o passageiro é que não vai poder mais pagar a tarifa com dinheiro. Vai ter que se virar atrás do cartão. Filas nos pontos de atendimento da Viação Piracicabana são retrato do sacrifício que impôs ao povo para não desagradar o parceiro privado.

Depois, as denúncias de que, quando secretário-adjunto da Educação do Estado, teria sido contemplado com generosos presentes em troca de benefícios a empresários. Ainda estão sendo investigadas pelo Ministério Público, portanto prevalece - até que não haja provas, de facto - o princípio da inocênica. Não podemos, porém, deixar de ficarmos atentos.

Recentemente, contrariando o compromisso de priorizar a saúde, adiou para 2015 a inauguração do Hospital dos Estivadores. Deu lá seus argumentos, mas, sinceramente... Nada convincentes.

Agora, em evidente descumprimento do que prometeu em campanha, propõe a professores, funcionários de escolas, médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde, e ao funcionalismo de um modo geral, um reajuste de 1,5% - um e meio por cento – nos vencimentos. Índice quatro vezes menor que o da inflação anual.

Os servidores marcaram greve para esta terça-feira, dia 26. Tenho minhas restrições à paralisação de funcionários públicos, porque a suspensão dos serviços prejudica o povo e não o governante e seus correligionários. Todavia, quando por tempo determinado e em situações extremas (um reajuste que sequer cobre a perda do poder aquisitivo do salário pode ser uma situação dessas), é até compreensível.

Bom, santistas: aviso aqui foi o que não faltou.