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terça-feira, 8 de outubro de 2013

Nas curvas da estrada de Santos

Imigrantes, vista da Anchieta, e Santos lá embaixo (foto: WAA)
De Curitiba
No último domingo duas raridades na descida da Serra do Mar, de São Paulo para Santos.

Primeiro, o tempo aberto. Difícil, seja pela Anchieta ou pela Imigrantes, não topar com neblina.

Quando ela não aparece, a vista da Baixada Santista é límpida. E linda.

Dá pra identificar detalhes da paisagem lá de baixo.

Espanta, por exemplo, como está se verticalizando o Morro da Nova Cintra.

Outra exceção é a pista livre. Tudo bem que era domingo, horário de almoço, quando há pouco movimento tanto rumo ao porto como de turistas de um dia.

Mas é que os congestionamentos na descida da Serra têm sido tão frequentes e intensos que o trânsito fluindo normalmente, surpreende.

Sorte aproveitar essa combinação.

Até uma próxima.

terça-feira, 30 de julho de 2013

A bilionária estrada que não agüenta ônibus

Na pista de descida da Imigrantes transporte coletivo é proibido (foto: WAA)
De Curitiba

De uns meses para cá, a descida da Serra do Mar entre a capital e litoral paulista tem sido um martírio, sobretudo para quem depende do transporte coletivo.

Ocorre que os ônibus só podem utilizar a Via Anchieta e, nesta, tanto os de linha regular como os fretados têm que dividir a pista com caminhões.

Com o excesso de carretas com destino ao Porto de Santos e com a neblina recorrente e densa, transitar pela Anchieta está impossível. Uma viagem entre o Terminal do Jabaquara, em São Paulo, e o do Valongo, em Santos, que normalmente levaria uma hora, tem demorado o dobro - às vezes o triplo - do tempo. 


Existe uma outra estrada para descer a Serra do Mar rumo a Baixada Santista: a pista mais nova da Imigrantes. Nela, no entanto, o Governo de São Paulo e a Ecovias proíbem o tráfego de ônibus e caminhões. A proibição existe há mais de dez anos, desde quando a nova Imigrantes foi inaugurada.

Passageiros do transporte regular e dos ônibus fretados não se conformam com essa determinação, muito menos com a justificativa dada pelo governo estadual e Ecovias.

O argumento é o de que a pista mais nova da Imigrantes tem um declive muito acentuado, não apropriado - dizem - para ônibus. 

Inacreditável!

Reparem: a nova Imigrantes, inaugurada em 17 de dezembro de 2002, custou, em valores da época, R$ 830 milhões - cifra que, corrigida, certamente ultrapassaria hoje o R$ 1 bilhão.

Não foi dinheiro do Tesouro do Estado - a obra foi bancada pela concessionária. Mas é evidente que nós é quem pagamos o investimento - a fatura vem no pedágio.

Ora, como é que o Governo de São Paulo deixou que se construísse uma rodovia ligando a maior metrópole do hemisfério sul ao maior porto do hemisfério sul que só pode receber o trânsito de automóveis?

Uma rodovia bilionária, de engenharia ousada, com túneis e viadutos quilométricos, mas que não comporta ônibus!

Como é que o governo estadual quer acabar com congestionamentos se, em vez de estimular o transporte coletivo, restringe a sua circulação?

O governador Geraldo Alckmin, do PSDB, era vice à época da concepção do projeto da nova Imigrantes e era titular quando da inauguração.

(Na solenidade, Alckmin, torcedor do Peixe, considerou a entrega da segunda pista como um "gol de Robinho", relembre aqui).

Há quase 18 anos a turma de Alckmin governa o Estado de São Paulo. 

Entregou uma estrada por onde ônibus não passa e que descarrega milhares de automóveis para uma região metropolitana, a Baixada Santista, que nesse tempo todo não recebeu uma obra sequer de transporte coletivo regional integrado. 

Deve, portanto, Sua Excelência o governador ser o primeiro o cobrado e o responsabilizado pela imobilidade para se chegar e se estar na Baixada.