Translate

Mostrando postagens com marcador siglismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador siglismo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

O job é descontinuar o revitalizar (e o descontinuar e o job também)

Algumas até dá para usar, mas com moderação
De Curitiba

Sei que, mesmo faltando 12 dias para o fim de 2013, minha cota de ranzinzice do ano está estourada.

Não de agora, sei também.

Mas é que o febeapá, este também não tem limites.

Já há tempos me seguro pra não expressar aqui a ojeriza com alguns termos, cada vez mais escritos e pronunciados, que - argh! - dão asco.

Alguns, de tão estabelecidos, larguei mão de contestar.

Há outros que também são jogo perdido lutar, no entanto, reclamar contra é preciso.

Deixemos de enrolação.

Uma dessas modas é o tal do "job". Ninguém mais tem trabalho pra fazer, relatório pra escrever, encomenda pra providenciar, incumbência, tarefa pra cumprir. Tem "job".

Toc, toc, toc na madeira.

Outra é o tal do "descontinuado". O produto não mais se acaba, não mais deixa de ser fabricado. Torna-se "descontinuado". O projeto não é cancelado ou extinto, o nome de determinada coisa não é mais deixado de lado. É "descontinuado".

Tucanagem à máxima potência.

Pra terminar, o "revitalizar". Do pote de xampu à placa que anuncia obra pública, está lá o termo: "revitaliza" o cabelo, "revitalização do Centro Histórico". No Aeroporto do Galeão, até a boa e velha, tradicional manutenção, conserto ou reparo de equipamentos está anunciada assim, como "revitalização".

Não prego a descontinuidade dessas palavras, não. São perfeitamente aplicáveis em alguns casos. Faz-se necessário, todavia, revitalizar seu uso. É um job, mas é possível fazê-lo.

Pior que isso, só o siglismo, tema abordado aqui.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

É pra não se entender

Siglas do Ministério da Saúde. Setor privado segue o mesmo caminho
De Curitiba
Reclama-se muito do gerundismo, dos textos abreviados e cheios de carinhas e bocas da internet, do estrangeirismo, mas o que tem incomodado mesmo é uma mania que se espalha pelas corporações, públicas e privadas: a de se por sigla em tudo.

Nenhum setor, nenhum projeto, nenhum programa, nenhum evento, nem a mais corriqueira das reuniões, nada mais tem nome por extenso, é chamado por uma palavra, uma expressão compreensível. Pra tudo se inventa uma sigla, só reconhecida por quem inventou - e, no máximo, por meia-dúzia ao redor.

É uma praga, que empesteia, como a semente transgênica espalhada pelas transnacionais do agronegócio.

É “depê não sei quê” pra cá, “ceapetê” pra lá, “jotagêagáefe” pra acolá...

Uma sopa de letrinhas em placas, memorandos, e-mails: “CPBZR”, “DGHR”, “SPQWPYZ”...

Por que não chamar o setor de contabilidade de “contabilidade”? O almoxarifado de “almoxarifado”? A reunião semanal de gerentes de “reunião semanal de gerentes”? Não... É “Decontab”, “Sealmox”, “RSG” e pérolas do tipo.

Ah, não tem como deixar de fora - até porque são campeões - os textos acadêmicos. Os artigos, teses, dissertações, que deveriam trazer conhecimento a ser compartilhado, são um emaranhado de siglas por centímetro quadrado. É cada mostrengo, parece que feito para realmente não ser entendido.

Quer saber? VTNC!*

(Em tempo: sigla para “vai tomar no copo”)