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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Dilma, a governabilidade está à esquerda

O governo dela vem sendo bombardeado dia e noite pela mídia
A presidenta precisa, para reconquistar apoio popular disposto a ir às ruas, sinalizar que não se esqueceu de promover mudanças progressistas, em vez de se perder em concessões ao mercado e à direita. CONTINUE LENDO

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Sobre a Marina Silva de quem me perguntam

Botava mais fé na Marina do Lula do que na do "Dudu"
De Curitiba
 
Por estes dias me andam a perguntar “o que acho” da Marina Silva.

Tem uma biografia exemplar, digna de consideração, respeito, admiração.

Mas está se perdendo, e rasurando sua biografia.

Desde pelo menos 2010, mudou-se para o campo da neodireita.

Tem pose e forma novas, porém o recheio é velho.

Deixou de combater o capital financeiro, o grande sanguessuga dos nossos recursos. Mais que isso, aliou-se-lhe. Não assume (o que é pior); esquiva-se com blá-blá-blá.

Não fala uma palavra, não escreve uma linha defendendo a reforma agrária, como antes. Sai pela tangente com essa de “produção e manejo sustentável”. Mais blá-blá-blá.

Democratização da mídia, taxação das grandes fortunas, fortalecimento do Estado, essas bandeiras da esquerda do passado de Marina também foram pro baú e substituídas por estandartes tucanados neolacerdinhas, como diria o Juremir Machado.

Enfim, um blá-blá-blá nem de esquerda, nem direita, nem de centro - e vice-versa, muito pelo contrário - o qual, óbvio, não me convence.

No "socialista neoliberal"  Eduardo Campos, encontrou o par ideal.

Uma pena.

Seria muito bom se pudéssemos contar com Marina Silva, da biografia exemplar, como uma alternativa mais à esquerda.

Neste texto, de 2010, falo da decepção que começava a surgir à época, com a "neutralidade" da então candidata do PV.

sábado, 13 de julho de 2013

Na faixa da esquerda

Sintonia na reunião do Mercosul desta semana (foto: Roberto Stuckert Filho)
De Curitiba

Da lamentável guinada à direita que a presidenta Dilma Rousseff deu ao seu governo nos últimos 12 meses, parece escapar, felizmente, a área de relações exteriores.

Nesta, a atuação se mantém no campo da esquerda.

A posição do Brasil na XVL Reunião da Cúpula do Mercosul, nesta sexta-feira, dia 12, em Montevidéu, reafirma a sintonia com os governos progressistas da região.

Dilma não só corroborou como foi porta-voz (ver pronunciamento aqui) do rechaço à espionagem dos Estados Unidos e da condenação ao sequestro do presidente boliviano Evo Morales praticado semana passada por França, Itália e Portugal.

Nesse episódio, Dilma até demorou a se manifestar - o pronunciamento, em nota, veio quase 24 horas do acontecido. Mas quando o fez, o fez de forma firme, soberana e solidária (confira aqui).

Também foi enfática, em abril, ao reconhecer de pronto - em despreocupada oposição ao que pregavam os Estados Unidos - o resultado da eleição que levou Nicolás Maduro à presidência da Venezuela. Antes, já tinha transmitido ao povo venezuelano sua solidariedade pela perda do grande líder Hugo Chávez.

Há pouco mais de um ano, em junho de 2012, Dilma igualmente não se hesitou em considerar golpista a deposição do então presidente do Paraguai, Fernando Lugo (relembre aqui). Exemplarmente, o Brasil defendeu que o país vizinho fosse suspenso do Mercosul, até que um novo presidente, eleito pelo voto popular, assumisse. O Paraguai deve ser reincorporado ao bloco em agosto.

Ainda está em tempo, presidenta, de fazer um balanceamento e um realinhamento do seu governo, livrando-se dumas tralhas que pesam e puxam a condução pra direita, e colocar a nave no prumo, no rumo.

sábado, 22 de junho de 2013

Nesta hora difícil, "tamo junto"

Encontro (não com Fátima, com Dilma), em Paranaguá, janeiro de 2007
De Curitiba

Tenho divergido muito de ti de um ano para cá, pelo deslocamento à direita do teu governo, por ter deixado na gaveta algumas pautas progressistas.

Há pelo menos uns quatro ministros do núcleo central que a senhora poderia tirar de campo; me incomoda a aproximação com gente como a Kátia Abreu e o distanciamento de grupos como o sem-terra e os indígenas, entre outros movimentos sociais que mereceriam ser recebidos pela senhora com mais frequência.

Esse descontentamento venho expressando pelo twitter e neste blog mesmo.

Expus minha discordância com a privatização do sistema portuário e com os leilões dos blocos de petróleo (relembre aqui). Sobre a omissão na guerra contra os índios imposta pelo "agrobusiness", também reclamei aqui.

No Dia das Mães, publiquei uma carta aberta a Vossa Excelência: está neste link.

As críticas, no entanto, não me impedem de continuar reconhecendo os avanços do teu governo e do teu antecessor, Lula.

O governo Lula-Dilma tirou milhões de brasileiros da miséria, implementou políticas sociais que possibilitam que o jovem filho de família pobre possa fazer faculdade, levou luz pro sertão e está levando água, promoveu a aproximação com os povos latino-americanos e africanos, reativou os cursos técnicos profissionalizantes, implantou campi de universidades públicas nos centros mais desenvolvidos e nos mais atrasados, criou o Samu e as UPAs etc etc.

Por esse legado (que ainda está longe de ser o ideal, poderia ser mais acelerado, mas é muito mais do que foi feito em 500 anos), é que nesta hora difícil, em que a elite se aproveita dos neoindignados "pacíficos" "apartidários" para, com a grande mídia, dar o golpe - já que pelo voto popular não conseguiu lhe tirar da Presidência da República -, é que estou contigo, Dilma Vana Rousseff.

Por esse legado, porém não só; pelo respeito à democracia.

Estar contra Dilma agora não é estar só contra a presidenta; é estar a favor de um golpe o qual - basta conferir a cobertura da Globo e a capa da Veja desta semana - está sendo muito bem orquestrado.

Todo mundo tem o direito de estar a favor ou contra o governo Dilma. Os que estão contra, todavia, têm que tomar cuidado pra não serem massa de manobra de interesses que nada têm a ver com as boas intenções dos que clamam por um Brasil melhor.

Quem estiver contra o governo Dilma pode perder o medo e reforçar a militância dos partidos de oposição para, dentro das regras do jogo (legais e legítimas), lutar para eleger um candidato, ou candidata, que se contraponha a Dilma. Ano que vem tem eleição e eleição se ganha no voto, via partido político, não em enquete ou "petição online" no facebook.

Só advirto, aos que realmente almejam um Brasil melhor, a não se precipitar na escolha do partido. Afinal, há uns partidos fortes na oposição por aí que a vida toda foram governo e dilapidaram o patrimônio público, deixaram o país às escuras no apagão, provocaram arrocho salarial, elevaram a carga tributária pra custear a bolsa banqueiro e aumentaram a distância entre a maioria mais pobre e a minoria mais rica.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Governo Dilma invade a praia do PSDB, Dem e PPS




Vale mais uma vez dar espaço aqui ao senador Requião. Nesta terça, dia 28, proferiu mais um dos seus discursos nacionalistas, à esquerda. Neste, construtivamente, critica a guinada ao neoliberalismo dada pelo governo da presidenta Dilma Rousseff de uns meses para cá.

A Medida Provisória dos Portos e o leilão de áreas de exploração de petróleo são dois trágicos episódios recentes nessa trajetória, à direita, do governo eleito justamente para dar um basta a esse entreguismo.

"Sem mais aquela, sem pedir desculpas pela falseta, o governo invade a praia do PSDB, do DEM e do PPS com uma ousadia de penetra, espalhando areia e inconveniências no espaço alheio", declara Requião no discurso.

Clique no vídeo acima para assitir na íntegra. Abaixo, alguns trechos:
  • É a economia, senhoras e senhores senadores. Ela é o sal de nossas vidas. E as nossas vidas, a vida nacional têm andado um tanto quanto sem sabor nos últimos meses (...).
  • Como disse o Partido Comunista Brasileiro, o PCB, em uma corajosa e militante nota política: estamos vendo o maior processo de privatizações na história do Brasil.
  • Diz o PCB: privatizam-se estradas, aeroportos e portos; privatizam-se o petróleo e hidrelétricas; e, ao se colocar recursos financeiros e humanos das estatais, como o BNDES, a Petrobrás, a Caixa e o Banco do Brasil, a serviço de entes privados, temos as chamadas “privatizações brancas”.
  • O que é a política de formação dos tais “campeões nacionais”, cevando um mega especulador como Eike Batista, se não uma “privatização branca”?
  • Meu Deus! Quando esse tempo passar, quando um dia, lá na frente, alguém nos perguntar: “E naqueles tempos, o que vocês fizeram?”. Constrangidos, envergonhados, vamos responder: “Naqueles tempos criamos Eikes Batistas”.
  • Lembra ainda o PCB: também é uma forma de privatização a desoneração de seis bilhões de reais em impostos, beneficiando as empresas de telecomunicações para que elas possam atingir as metas que elas prometeram cumprir por contrato com o Estado brasileiro.
  • Não foi suficiente o escândalo das teles, passadas de mão beijada para o capital privado. Agora vamos livrá-las de pagar seis bilhões em impostos, para que elas, pobrezinhas, possam cumprir o que assinaram.
  • E não vejo ninguém vociferando contra o não cumprimento do contrato. Não ouço os jornalões e a Globo exigindo que os contratos sejam cumpridos.O princípio tão caro para os liberais do “pacta sunt servanda” serve apenas para o Estado, como se vê.(...) 
  • Por cinco vezes, não uma ou duas, e sim por cinco vezes acompanhei o PT nas eleições presidenciais. Nas circunstâncias de hoje, fossem esses que se anunciam os candidatos, acompanharia o PT pela sexta vez. No entanto, parece claro que o PT está à deriva, distancia-se da esquerda. Como já não é mais possível classificar como de esquerda os partidos da base, que ainda assim se dizem, em que pese as posições hoje assumidas.
  • É à esquerda, pela esquerda, que construiremos o país e a sociedade que anelamos há tanto tempo. Não há outra saída. Boa parte da esquerda tradicional, como a camélia, caiu do galho, depois murchou, depois morreu.
  • Vamos então, mais uma vez, recomeçar."