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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Vidinha mais ou menos

O Itaú de Luciano Huck, enchendo os cofres às nossas custas
Os três maiores bancos privados do Brasil lucraram R$ 8,3 bilhões no primeiro trimestre deste ano. Dessa Bolsa Família Setúbal-Trabuco/Aguiar-Botín ninguém fala.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A tesoura que escolhe bem o que cortar

Bolsa banqueiro deu lucro de R$ 15,7 bi aos Setúbal em 2013 (foto: Sind.Bancários)
De Curitiba

O governo federal vai cortar R$ 44 bilhões do Orçamento da União.

Coube aos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento) explicar os cortes (ver aqui).

"A educação e a saúde, o Programa Brasil Sem Miséria, e a Ciência, Tecnologia e Inovação foram preservados, não sofrerão cortes", ressaltaram os ministros.

A notícia é veiculada na grande mídia, comprometida com o mercado financeiro, como decisão lúcida, que busca garantir equilíbrio das contas públicas, racionalidade nas despesas.

A midiona omite a tragédia por trás dessa suposta mão de ferro nos gastos.

Omite que a tesoura corta de tudo, só não corta o que o orçamento reserva para o custeio da dívida pública, ou seja, para aquilo que guarda para pagar de juros aos bancos.

Não corta um centavo do bolsa banqueiro.

Cortou do PAC, o Programa de Aceleração de Crescimento, isto é, das obras que geram emprego, renda e desenvolvimento.

Cortou do custeio da máquina pública, impedindo contratações de concursados para a prestação dos serviços públicos.

Se corta de obras e de custeio, indiretamente corta também da educação, da saúde, do transporte, da habitação, do saneamento...

Essa tesouro só não corta - nem toca! - na bolsa banqueiro.

Até porque se relar um pouquinho a reação contrária é um bombardeio.

(Quem ousa mudar a lógica do mercado, como têm ousado Venezuela e Argentina, sofre com retaliações, como se tem visto)
 
Se a tesoura de Tia Dilma e sua turma fica longe da bolsa banqueiro, ficam longe também as tesouras dos outros postulantes à Presidência da República.
 
Aécio Neves representa a essência, o DNA, dessa política monetarista-rentista.
 
Marina Silva, que faz dupla com Eduardo Campos, é apoiada pela Setúbal do Itaú, maior beneficiado pela bolsa (banqueiro).
 
Portanto, minha gente, não adianta gritar por passe-livre, escola e hospital "padrão Fifa", se não protestar pra que se afie melhor essa tesoura.

Tampouco adianta embarcar nesse modismo pseudopolitizado do "não vai ter Copa".
 
É isso mesmo que o poder econômico quer, o desvio de foco.
 
Os R$ 8 bilhões, custo dos estádios da Copa, representam o que o governo paga em duas semanas de juros para os bancos, compara aqui João Pedro Stédile, do MST.
 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O bolsa banqueiro continua a sugar nosso dinheiro

Daria pra implantar aeromóvel em cada cidade (foto: Governo Federal)
De Curitiba

Já falamos aqui, mas vamos repetir - até porque a aberração continua: não é salário de deputado e senador, não é gasto com funcionalismo, nem com viagens de autoridades, muito menos bolsas dos programas sociais. Não é isso que suga dinheiro deste país e impede que invistamos em escolas e hospitais "padrão Fifa".

O que emperra o nosso progresso é o bolsa banqueiro.

Isto é o bolsa banqueiro: nos primeiros sete meses deste ano, das receitas da União, Estados e Municípios, R$ 141,5 bilhões - ou 5% de todas as riquezas produzidas no Brasil - foram transferidos a bancos como pagamento de juros.

Os dados são do Banco Central.
 
Não à toa os bancos mês a mês batem recorde em lucros. No primeiro semestre do ano, apenas o Itaú, o Santander, o Bradesco e o HSBC lucraram, juntos, R$ 16,5 bilhões. Estamos falando de lucro, isto é, de sobra. 
 
Quanto sobra do seu salário?

Para se ter uma ideia do quanto é essa montanha de dinheiro chupada pelo bolsa banqueiro, basta comparar a cifra de mais de R$ 141 bilhões com os projetos de mobilidade urbana do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. Em média, os projetos para as regiões metropolitanas estão orçados entre R$ 1 e 2 bilhões por região (ver aqui).

Ou seja, o que já foi pago em juros pra banco equivale a 100, 150 projetos de obras de metrô, VLTs, corredores de ônibus. Seria o fim do caos no trânsito.

Outro exemplo: há um mês, a presidente Dilma Rousseff inaugurou em Porto Alegre uma linha de aeromóvel, de pouco menos de 1 quilômetro de extensão. Custou R$ 37,8 milhões.

Com o dinheiro que foi gasto com banqueiro dava pra implantar 40 mil linhas iguais a essa de Porto Alegre - o que equivale, por baixo, a mais de dez linhas em cada um dos municípios de todo o território nacional.
 
Já era pra gente estar voando de aeromóvel há muito tempo.
 

terça-feira, 25 de junho de 2013

Manifestantes, manifestem-se contra o bolsa banqueiro

A elite e a mídia batem no bolsa família, mas deixam quieto o banqueiro (foto: MDS)
De Curitiba

Os bem-intencionados “apartidários” poderiam encampar esta luta: contra o bolsa banqueiro.

Não é com o bolsa família que o governo gasta muito. Gasta-se pouco até, e mesmo assim, o programa é responsável por avanços importantes nos últimos dez anos. Confira:

O bolsa família movimenta a economia local; graças ao bolsa família, pela primeira vez na história do Nordeste brasileiro o sertanejo, diante da seca atual que é a mais drástica dos últimos 50 anos, não passa fome.

O bolsa banqueiro, mata a fome, mas a de lucro, dos especuladores.

Suga dinheiro do orçamento público que poderia ser investido em escolas e hospitais “padrão Fifa”; em corredores de ônibus, metrô e VLT; em casas populares, saneamento em básico; em viaturas e equipamentos para a polícia.

Mas contra o bolsa banqueiro, ainda não vi nenhum cartaz nas manifestações “pacíficas” “apartidárias”.

Ou, se alguém levou um, evidentemente não saiu no videoclipe do Fantástico. Nem sairá.

O bolsa banqueiro, claro, não tem oficialmente este nome. Chama-se “superávit primário”.

Uma expressão que remete a algo positivo - “superávit”.

Mas é drástico.

Nesta terça, dia 25, a Agência Brasil noticiou (ler aqui a matéria na íntegra): o superávit primário no acumulado deste ano (janeiro a maio) somou R$ 33 bilhões. Embora seja menor do que o do ano passado e o mais baixo desde 2012, é uma tragédia.

Reparem: são R$ 33 bilhões em cinco meses. É mais que o orçamento anual (ou seja, do ANO TODO) do atacado bolsa família (que é de R$ 23 bilhões).

É mais do que tudo o que está sendo investido (R$ 28 bilhões) em obras de infraestrutura e estádios para a Copa do Mundo de 2014.

A prática do superávit primário é herança dos dois mandatos do PSDB-DEM, da qual os governos do PT não conseguiram (não quiseram? Não puderam?) se livrar. Lula e Dilma, ao menos, promoveram atenuantes – como o bolsa família já citado, o microcrédito, o ProUni, o Luz para Todos etc etc.

Em tempo: superávit primário é a “economia” que o governo faz para pagar os juros da “dívida pública”. Também palavras bem escolhidas para esconder o que significa, na prática: dinheiro que o governo corta do orçamento público para destinar ao mercado financeiro, como remuneração pelos títulos públicos por esse mercado adquirido.

É, enfim, o bolsa banqueiro, como definiu o Plínio de Arruda Sampaio.

Acabar com o superávit (ou ao menos diminuir) é mexer num vespeiro. É fazer com que muita gente (especuladores, bancos) que esteja há 15 anos ganhando muito dinheiro - fácil, sem produzir um sabonete sequer - pare de encher os cofres nessa moleza. É enfrentar interesses econômicos poderosos, gigantes – e esse gigante nunca dormiu, está acordado, à espreita de qualquer governo que tente incomodá-lo.

Portanto, moçada, gritar por “educação de qualidade”, “saúde de qualidade” não surte efeitos se essa reivindicação ficar apenas nisso. Passou da hora de ir à raiz, exigir que se estanque essa sangria de recursos públicos que fazem a alegria dos filiados à "apartidária" Febraban.