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terça-feira, 6 de julho de 2010

Diga, Plínio

De Curitiba

Quase todo mundo ao redor, inclusive e sobretudo gente com acesso aos mais variados meios de informação, tem confessado desconhecer que Plínio de Arruda Sampaio é candidato à presidência da República.

Plínio não é nenhum aventureiro, nenhum gaiato de legenda de aluguel.

Plínio tem 79 anos de idade e meio século dedicado à vida pública.

Tem sido, no entanto, boicotado pela grande mídia no processo eleitoral deste ano.

Seu nome é deixado de fora das pesquisas de opinião dos Ibopes e Datafolhas da praça. Não é citado na cobertura dos jornalões, tampouco mencionado pelos grandes canais de rádio e televisão.

Até uma emissora pública, que poderia dar o exemplo, esconde Plínio do público: uma campanha no twitter tenta convencer a TV Cultura a, assim como já fez com Dilma, Serra e Marina, entrevistar Plínio também.

Os demais canais relutam em aceitar a participação dele nos debates previstos até o primeiro turno.

Que democracia é essa? Que liberdade de expressão é essa? Que imprensa plural é essa?

A campanha eleitoral 2010 começa nesta terça-feira, dia 6.

Você, nós, temos o direito de receber, de ter acesso a informações suficientes que subsidiem nossa decisão de 3 de outubro.

Esse direito, você sabe, é tão imprescindível quanto o de votar. De modo que procure-o, exija-o!

(Sobre Plínio de Arruda Sampaio: www.pliniopresidente.com. Clicando aqui, você confere matéria sobre palestra feita por ele em Curitiba, a convite do Governo do Paraná, em 2007)

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Vidinha mais ou menos

O Itaú de Luciano Huck, enchendo os cofres às nossas custas
Os três maiores bancos privados do Brasil lucraram R$ 8,3 bilhões no primeiro trimestre deste ano. Dessa Bolsa Família Setúbal-Trabuco/Aguiar-Botín ninguém fala.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Existe (mais de) um caminho

De Curitiba   

Preocupante constatar que o cenário vem sendo montado, há bons anos, para que se estabeleça na política brasileira uma dicotomia entre PT e PSDB.

Quaisquer outras vozes e pensamentos que venham a  preencher a lacuna entre esses dois polos ou ocupar um espaço em outra ponta são omitidos, descartados, quando não desqualificados sumariamente.

Ora, por que, por exemplo, nessas atuais pesquisas de intenção de voto para presidente os nomes de dois pré-candidatos assumidos, figuras históricas e de partidos de peso (Plínio de Arruda Sampaio, Psol, e Roberto Requião, PMDB), não são incluídos entre as opções?

Mais ainda: além de construir a dicotomia, não se quer o debate aprofundado de ideias, ideologias e práticas; só a rivalidade rasa.

Ora, se não, por que, por exemplo, se dá tanta repercussão aos bate-bocas entre petistas e tucanos mas não lhes perguntam o que pensam da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, como se posicionam sobre o marco regulatório para o pré-sal, sobre democratização das comunicações, sobre os efeitos nefastos das privatizações dos anos 90, sobre que destino dar à Amazônia, entre tantas outras questões nacionais relevantes?

Quem tem a falar sobre isso com um pouco mais de contundência é riscado.

Ciro Gomes revelou à Carta Capital desta semana (www.cartacapital.com.br) que viu dois compromissos - uma entrevista à Marília Gabriela, no GNT, canal fechado da Globo, e a participação no Superpop, da Luciana Gimenez na Rede TV (no qual Serra e Dilma já estiveram) - serem cancelados sem maiores explicações.

Ainda bem que o mundo virtual e suas ferramentas se expande e abre coretos a todos.

Basta a gente procurar, variar as fontes. Não precisa concordar, nem reproduzir o que dizem; só não se abstenha do direito de se informar, de ouvir os contraditórios para, de próprio arbítrio, seguir seu caminho, não cair nessa armadilha de transformar as discussões políticas em Fla-Flu, baseadas por índices de intenção de votos e rejeição apurados sabe-se lá como, com e para quais interesses.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Cúpula da cópula

De Curitiba

Das mais progressistas políticas do Governo Lula está a de relações exteriores, que tem no conterrâneo Celso Almorim seu timoneiro.

Em especial na aproximação com nossos vizinhos de continente.

Nesta quinta, dia 16, e sexta, dia 17, em Foz do Iguaçu, Lula participa de sua última Cúpula do Mercosul.

Coincidentemente, passa adiante a presidência (rotativa) do bloco também, para o colega do Paraguai, Fernando Lugo (que, felizmente, parece estar com a saúde re-estabelecida).

Lula deixa a presidência da República e a atuação na Cúpula todavia os brasileiros e latino-americanos nacionalistas podem ficar sossegados que o processo de integração regional não será interrompido pela presidenta Dilma.

Pelo contrário.

Dilma deve dar continuidade, e mais intensamente, à relação solidária, de irmãos, com as nações de nuestra América.

Estava nesse ponto uma das principais diferenças entre a candidatura da petista e a do tucano José Serra.

(Como é que Plínio de Arruda Sampaio, Marina Silva, não enxergavam isso?)

Serra era o candidato da Alca - subserviência à América do Norte, paulada na América do Sul.

Dilma era - é, será - a sequência da ação do Lula. Unir o Sul para lidar de igual para igual com o Norte.

A nossa elite conservadora - que conhece as lojas de Miami e as esquinas de Nova Iorque mas não exerga o que se passa além Higienópolis ou Barra - tem "horror!" a essa amizade com ameríndios.

Então se você ficar só nas globos, vejas, folhas e assemelhados capaz de só se deparar com desdém ou forçação de intrigas entre nós e os vizinhos.

("Eu sou da América do Sul/ eu sei, vocês não vão saber...")

Aqui ao lado, tem uma lista de sugestões pra você se inteirar do tema por outros olhares.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Manifestantes, manifestem-se contra o bolsa banqueiro

A elite e a mídia batem no bolsa família, mas deixam quieto o banqueiro (foto: MDS)
De Curitiba

Os bem-intencionados “apartidários” poderiam encampar esta luta: contra o bolsa banqueiro.

Não é com o bolsa família que o governo gasta muito. Gasta-se pouco até, e mesmo assim, o programa é responsável por avanços importantes nos últimos dez anos. Confira:

O bolsa família movimenta a economia local; graças ao bolsa família, pela primeira vez na história do Nordeste brasileiro o sertanejo, diante da seca atual que é a mais drástica dos últimos 50 anos, não passa fome.

O bolsa banqueiro, mata a fome, mas a de lucro, dos especuladores.

Suga dinheiro do orçamento público que poderia ser investido em escolas e hospitais “padrão Fifa”; em corredores de ônibus, metrô e VLT; em casas populares, saneamento em básico; em viaturas e equipamentos para a polícia.

Mas contra o bolsa banqueiro, ainda não vi nenhum cartaz nas manifestações “pacíficas” “apartidárias”.

Ou, se alguém levou um, evidentemente não saiu no videoclipe do Fantástico. Nem sairá.

O bolsa banqueiro, claro, não tem oficialmente este nome. Chama-se “superávit primário”.

Uma expressão que remete a algo positivo - “superávit”.

Mas é drástico.

Nesta terça, dia 25, a Agência Brasil noticiou (ler aqui a matéria na íntegra): o superávit primário no acumulado deste ano (janeiro a maio) somou R$ 33 bilhões. Embora seja menor do que o do ano passado e o mais baixo desde 2012, é uma tragédia.

Reparem: são R$ 33 bilhões em cinco meses. É mais que o orçamento anual (ou seja, do ANO TODO) do atacado bolsa família (que é de R$ 23 bilhões).

É mais do que tudo o que está sendo investido (R$ 28 bilhões) em obras de infraestrutura e estádios para a Copa do Mundo de 2014.

A prática do superávit primário é herança dos dois mandatos do PSDB-DEM, da qual os governos do PT não conseguiram (não quiseram? Não puderam?) se livrar. Lula e Dilma, ao menos, promoveram atenuantes – como o bolsa família já citado, o microcrédito, o ProUni, o Luz para Todos etc etc.

Em tempo: superávit primário é a “economia” que o governo faz para pagar os juros da “dívida pública”. Também palavras bem escolhidas para esconder o que significa, na prática: dinheiro que o governo corta do orçamento público para destinar ao mercado financeiro, como remuneração pelos títulos públicos por esse mercado adquirido.

É, enfim, o bolsa banqueiro, como definiu o Plínio de Arruda Sampaio.

Acabar com o superávit (ou ao menos diminuir) é mexer num vespeiro. É fazer com que muita gente (especuladores, bancos) que esteja há 15 anos ganhando muito dinheiro - fácil, sem produzir um sabonete sequer - pare de encher os cofres nessa moleza. É enfrentar interesses econômicos poderosos, gigantes – e esse gigante nunca dormiu, está acordado, à espreita de qualquer governo que tente incomodá-lo.

Portanto, moçada, gritar por “educação de qualidade”, “saúde de qualidade” não surte efeitos se essa reivindicação ficar apenas nisso. Passou da hora de ir à raiz, exigir que se estanque essa sangria de recursos públicos que fazem a alegria dos filiados à "apartidária" Febraban.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Lucro dos Itaú é que deve ir pro SUS

Que deselegante! (foto: www.midiaindependentente.org)

De Curitiba

Foi noticiado nesta semana: o lucro do Itaú, nos primeiros nove meses de 2011, chegou a quase 11 bilhões de reais.

Alô, alô, turma do impostômetro, tão preocupada com as causas coletivas, e nada com os interesses particulares-corporativistas, que tal incluir no placar que vocês espalham pelas cidades quanto da arrecadação vai para a bolsa-banqueiro*?

Alô, alô, galera tão preocupada com o SUS, a ponto de se incomodar com o fato de um ex-metalúrgico ser tratado num hospital de ricos, por que não iniciar uma campanha nas indignadas redes sociais pedindo que o lucro dos bancos tenha uma taxação de, digamos, 10%, com destino desses recursos à saúde pública?

Já pensou?, desses R$ 11 bilhões lucrados pelo Itaú, 1 bilhão e 100 milhões teriam ido para o SUS - sem arruinar os cofres do Setúbal, que ficariam ainda com 9 bilhões e 9 milhões de reais. Mais a taxação dos lucros do Bradesco, do HSBC, do Santander, do Citbank, e o orçamento da saúde receberia considerável reforço, não?

Cuba, por exemplo, não tem agências "first class", "prime", "golden" nem similares, todavia tem, segundo um estudo norte-americano, o quinto melhor atendimento médico do planeta - os EUA vêm dez posições abaixo, e o Brasil, em 35º.**

O que vale mais?


* "Bolsa-banqueiro" é precisa definição do Plínio de Arruda Sampaio para o pagamento de juros dos cofres públicos ao sistema financeiro-especulativo?

** Aos preocupados de última hora com a nossa saúde pública, vale acompanhar a série de matérias e artigos na Carta Maior, sobre a necessidade de mais recursos para a área: http://www.cartamaior.com.br/templates/index.cfm?home_id=125&alterarHomeAtual=1