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sábado, 22 de março de 2014

Sambódromo e escola, carnaval e democracia. Entrevista histórica de Brizola sob o samba da Mangueira



Postado de Curitiba

Apoteose da Mangueira, na Quarta-Feira de Cinzas do Carnaval de 1984.

O primeiro do sambódromo da Marquês de Sapucaí, depois batizado justamente de Passarela do Samba Darcy Ribeiro.

Transmissão da TV Manchete.

Enquanto a Mangueira passava, junto com o povo da arquibancada, e encerrava o dia de desfiles, Leonel Brizola, então governador do Rio de Janeiro, concede entrevista à emissora.

Carrega um menino no colo, de 4 anos no máximo.

"Este bichinho aqui, este é o grande vencedor do Carnaval de 84", diz um entusiasmado Brizola com a obra recém-inaugurada, e que servia de passarela do samba nos dias de folia, e, depois, no decorrer do ano, de escola em tempo integral - um dos Cieps idealizados por ele, Darcy Ribeiro e Oscar Niemeyer (o trio que concebeu o sambódromo também).

Era o Carnaval das crianças, que receberiam educação de qualidade, e era o Carnaval da luta pela democracia.

Àquela altura, naquele começo de 1984, o movimento "Diretas Já" tomava conta do país.

Ali, enquanto Brizola falava, foliões da Mangueira e o povo, misturados, faziam seu Carnaval.

"O Carnaval das Diretas", conceituou Brizola.

Vale assistir ao vídeo. Registro histórico.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Quiloa, o primeiro grupo de maracatu fora de Pernambuco a participar do carnaval de lá, dá a largada na folia de Santos

11ª edição do cortejo será sábado. Antes, outras atividades
No ano em que completa 13 anos de formação, o Quiloa – primeiro grupo de maracatu fora de Pernambuco a se apresentar nos festejos carnavelescos de lá – viu cair-lhe a responsabilidade de praticamente abrir a programação do carnaval de Santos, sua casa.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Muito capricho nos desfiles das escolas de samba de Santos. E o prestígio dos ditos famosos

Foram as melhores apresentações, desde a retomada, em 2006
Santos experimentou antecipar os desfiles das escolas de samba deste ano. As apresentações foram na sexta, dia 29; sábado, 30; e domingo, 31. A uma semana, portanto, do Carnaval. Ao que tudo indica, a experiência deu certo.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

No bonde do Carnaval cabem todos

Carnabonde, em Santos, sábado passado (foto: Tadeu Nascimento/PMS)
De Curitiba

O Carnaval serve para todo mundo.

Repare: se alguém no reveillón opta pela reclusão, é motivo de preocupação. Depressão? Dificuldade de socialização? E quem não entra no clima do Natal ou da Páscoa? Pode levar a pecha, por exemplo, de materialista ao extremo.

No Carnaval, não.

Pra quem gosta de festar, é só cair na folia, até agüentar. Pra quem prefere o sossego, é só descansar, sem neuras. Aos aventureiros, é só inventar uma peripécia pra encarar.

Pra quem gosta de samba, os desfiles das escolas estão aí. Pra quem gosta de frevo, os blocos pernambucanos. Pra quem prefere axé, os trios elétricos baianos. Pra quem curte uma praia, as bandas à beira-mar. Aos interioranos, as marchinhas nos centros históricos. E aos que querem colocar em dia a leitura e o cinema, a hora é essa inclusive.

Bom, mas pra quem vai trabalhar, não se aperreie. O seu Carnaval também vai chegar.

Aproveite, ao seu modo, ao seu gosto, à sua preferência, o seu Carnaval!


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Desfile das campeãs: a festa e a aula do carnaval

Detalhe de alegoria da Beija-Flor: a escravidão em São Luiz do Maranhão (foto: Riotur)

De Curitiba

Acabou o carnaval, o ano começa, diz o lugar o comum.

Se isso é fato, sem problema algum.

Porque a alegria dos dias de folia é o combustível pra se encarar as lutas do dia-a-dia. As batalhas pessoais e as coletivas.

E tem mais: se o ano se inicia com o fim do carnaval, só vai acabar quando o próximo chegar. Portanto, teremos os mesmos 365 - ou 366 - dias. O que muda é o mês que abre e o que termina a folhinha.

Né?

Então, deixa o povo curtir. Com moderação e responsabilidade, claro, mas deixa a galera se divertir. 

Se bem que este papo está atrasado. Quem tinha que curtir, curtiu – afinal, voltando ao começo da conversa, o carnaval se foi.

Pra despedida, aqui no Macuco já é tradição acompanhar in loco o desfile das seis primeiras colocadas escolas de samba do Rio de Janeiro.

O “Sábado das Campeãs”. Este de 2012 foi o sétimo, consecutivo.

É, aliás, sobre a apoteose, o lide - que só agora surge neste texto - desta conversa.

Ei-lo, pois.

O Sábado das Campeãs confirmou: desde 2006, este foi o carnaval que reuniu as melhores apresentações das escolas de samba, no Rio. Nem tanto pelo luxo, sim pela qualidade da quase totalidade dos enredos e dos sambas, verdadeiras aulas de história, geografia e artes em forma de festa, transmitidas com criatividade - e competência.

Vila Isabel e Portela deram lição de música com letra e melodia de um samba envolvente. Contagiante pelo ritmo – o da Isabel, temperado com kuduro; o da Portela, com batuques do candomblé – e pela riqueza da letra. Contadores, os sambas, de enredos consistentes – a escola de Noel, sobre a nossa descendência de Angola; a de Paulinho da Viola, com Clara Nunes e os rituais baianos.

O Salgueiro nos falou de literatura, a de cordel, manifestação dessa gente porreta do Nordeste. De lá veio também o Rei do Sertão Luiz Gonzaga da Unidos da Tijuca. Ainda lá de cima, a história de São Luiz do Maranhão - e uma homenagem a um dos seus filhos, Joãosinho Trinta - cantada pelo inigualável Neguinho da Beija-Flor. E mesmo a Grande Rio, que transformou um tema banalizado pela autoajuda, a superação, numa demostração de como somos capazes de superar os obstáculos ou, no caso dos intransponíveis, de saber lidar com eles...

Darcy Ribeiro tinha razão: ô, povo brasileiro!

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Reminiscências do Carnaval I: a moça que temperou o samba com a sanfona e o sotaque paraibano

Ela pretende voltar em 2017. Tomara.

Há exata uma semana o Desfile das Campeãs encerrava o histórico Carnaval de 2016. Histórico por uma série de razões. Uma delas a estreia na avenida da cantora, compositora e sanfoneira Lucy Alves.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O rei pendura a coroa

Babi, o Rei Momo do carnaval santista desde 2001, passa a faixa neste ano. (foto: PMS)

De Santos

Depois de 11 carnavais, o Rei Momo de Santos, Darwin Ferreira Barbosa, o Babi, vai passar a faixa. A escolha do sucessor é hoje à noite no Teatro Municipal, e a assunção do reinado no sábado, na quadra da União Imperial.

Conheci o Babi em 2006, nas entrevistas para o livro que fiz, "Duas Noites - o re-encontro de Santos com o samba de carnaval".

Uma figura, um sujeito bom daqueles pra gente conversar pra conhecer um pouco do passado, de história.

Um estivador aposentado, apaixonado por samba, por carnaval e, sobretudo, pela X-9 - a escola do Macuco, bairro onde Babi fincou raízes.

Tem na ponta da língua sambas xisnoveanos de 40 anos atrás.

Apesar de X-9 confesso e sempre exaltar a escola do coração, é defensor de um carnaval sem rivalidades - e buscando essa harmonia cumpriu seu reinado.

Foi o rei da folia, bem humorado, mas sempre discreto, e com humildade. Nunca quis aparecer mais do que ninguém. Pelo contrário. Na passarela, era ele quem se curvava.

Não à toa é querido pelo mundo do carnaval santista. Só está pendurando a coroa por vontade própria. "Já é hora de deixar os outros se deliciarem com essa coisa", declarou ao jornal A Tribuna.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A vez das escolas de samba de Santos

Comissão de frente da Unidos dos Morros, em 2012 (foto: Divulgação PMS)
De Curitiba

Aviso aos navegantes: de agora e pelos próximos dias, a tendência é de que se fale aqui só sobre desfiles de escolas de samba.
O esquenta começou sexta-feira passada, com as impressões sobre os ensaios da Acadêmicos da Realeza. Um pouco antes, no final do ano, as considerações iniciais sobre os sambas do Rio de Janeiro.

A vez agora é do carnaval santista.

Pelo que tenho acompanhado, a festa deverá ser bonita na Passarela Dráusio da Cruz e a disputa, tanto no grupo de acesso como no principal, bastante acirrada.

Pra começar, o sambódromo já contará, este ano, com parte de sua estrutura física definitiva. Durante o ano, abrigará oficinas culturais para os moradores da Zona Noroeste e um memorial do samba; no carnaval, para os desfiles, servirá de camarotes e tribuna para imprensa.

O que virá dos barracões?

As cinco escolas do grupo de acesso, que desfilam na noite de sábado, vêm com enredos e sambas com abordagem bastante originais.

Pela maior tradição, Unidos da Zona Noroeste (falará sobre o povo cigano, num samba muito rico em informação) e Bandeirantes do Saboó (sobre os diferentes preconceitos, inclusive os de classe social) até podem ter ligeiro favoritismo.

Mas o samba da Mocidade Dependente ("Ilê-Ifé, o berço da terra") é extraordinário, talvez o melhor - comparando-se, inclusive, com os sambas das dez agremiações do grupo especial. E a escola do Estuário, novata (completa cinco anos em 2013), tem se caracterizado pela ousadia - se for bem compreendida pelos jurados e público, sobe.

Tentando surpreender, a Dragões do Castelo fez um samba que aborda com clareza as diversas formas de jogo e competições desta vida; a vicentina Camisa Alvinegra fala sobre as festas populares e o folclore brasileiro. Tomara as duas encantem também, que o povo quer, antes de tudo, beleza, alegria.

Entre as dez do grupo especial (cinco desfilam domingo, cinco, segunda-feira), muito, muito bom mesmo o verdadeiro hino que União Imperial fez ao seu chão, o Marapé. Menciona a origem do nome, os pontos de referência do bairro (que são ícones da cidade também) e ressalta a solidariedade de sua gente. "Nesse bairro onde o amor, ô ô/ faz do amigo um irmão", homenageia a letra.

Outro primor é o samba da Amazonense, sobre os migrantes nordestinos, mostrando como um povo ergueu os símbolos do progresso urbano do Sudeste e, ao mesmo, tempera a vida com suas manifestações artísticas. Pra variar, a escola do Guarujá é favoritaça.

Outra favoritíssima é a Unidos dos Morros, que desde a retomada dos desfiles, em 2006, tem estado sempre ali, pertinho do título. O samba se, por um lado, aborda um tema recorrente - a natureza e a necessidade de preservação do meio ambiente -, propicia elementos visuais de impacto, e nesse ponto a agremiação da cidade alta tem se destacado nos últimos anos. Vem que vem, portanto.

Duas escolas fazem referência à África. A Império da Vila, enfatizando as heranças culturais do continente-mãe, num samba com uma letra muito rica. A Sangue Jovem, interrelacionando a biografia de três afrodescendentes "guerreiros da paz": Nelson Mandela, Luther King e Pelé.

A campeoníssima Brasil é aguardada com muita expectativa. Depois de tropeçar em 2010 e ser rebaixada, conseguiu o acesso em 2011 e, ano passado, esteve bem perto do título do grupo principal. O samba-de-enredo 2013 viaja pela evolução nas formas de comunicação interpessoal - das mais primitivas maneiras de dar um recado aos mais instantâneos recursos tecnológicos disponíveis. Tem tudo para ser lúdico, assim como deverão ser os desfiles da Vila Mathias, sobre a influência das cores na humanidade (destaque para a inconfundível voz do intérprete do samba, o Joãzinho), e o da Real Mocidade Santista, que aborda a arte do teatro de bonecos - das mais remotas origens às manifestações contemporâneas, como as do carnaval pernambucano.

As duas escolas do Macuco resolveram encarar desafios nada simples. A Padre Paulo, o de explicar o que é a maçonaria, um universo tido como, no mínimo, misterioso pra quem é de fora. Já a X-9, o de trazer elementos concretos que ilustrem um enredo abstrato ("Bem o mal, falem de mim"). O samba da Padre Paulo privilegia a origem histórica e as lutas maçons; o da X-9 é um recado (não chega a ser agressivo, todavia é enfático) de que, pode-se dizer o que for, mas impossível não reconhecer a força da Pioneira.

Por ora é isso. Mais detalhes, no ótimo portal oficial do carnaval santista: www.santos.sp.gov.br/carnaval

sábado, 10 de outubro de 2015

Os sambas para o Carnaval começam a sair do forno

Maria Bethânia vai ser enredo da Mangueira

A Grande Rio escolhe neste sábado, dia 10, o samba-enredo para o Carnaval 2016 do Rio de Janeiro. Na verdade, o resultado só deve ser conhecido na madrugada de domingo. Começo citando a escola de Duque de Caxias porque ela vai homenagear a minha Santos, que completa 470 anos de fundação em 2016.

sábado, 5 de março de 2011

Bota a sandália de prata

Sábado passado, milhares curtiram o Carnabonde no Centro de Santos (foto: divulgação)

De Curitiba

A folia já vem de algumas semanas, é verdade.

Mas, agora sim estamos, oficialmente, em período de carnaval.

Aproveite.

O carnaval existe para nos mostrar, anualmente, que estamos nesta vida para nos divertirmos, antes de tudo.

Diversão que pode ser ao som dos sambas das escolas,  das marchinhas das bandas, do axé dos trios elétricos, do frevo dos blocos.

Ou pode ser na tranquilidade de um lugar distante das batucadas e das muvucas. À frente da tela de cinema, diante de um livro, numa visita a um museu. Numa caminhada no parque, num passeio a beira-mar. No retiro num sítio. Espichado numa rede.

A quem está a trabalhar, fique sossegado: o seu carnaval também vai chegar.

Aqui, a preferência é pelo samba das escolas.

Estaremos na Passarela Dráusio da Cruz acompanhando os desfiles das agremiações de Santos. E torcendo, claro, por um desempenho exuberante da X-9, a Pioneira, a escola da Bacia do Macuco.

Ah, à distância ficaremos atento à Sapucaí, fazendo figas para a Vila Isabel bela.

♪ É carnaval, é a doce ilusão. É promessa de vida no meu coração ♪

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Carnaval Cubano em Santos

Música ao vivo, dança e comidas e bebidas típicas na folia

“Vai pra Cuba!” Se não for possível por ora, dá pra ir ao menos ao Carnaval Cubano que ocorre em Santos nesta sexta-feira, dia 5. É a partir das 19 horas, na Associação Cultural José Martí, promotora do evento.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Feliz Natal, mas é tempo também de falar do Carnaval

Lucy Alves será uma das intérpretes da Imperatriz, que tem um dos três melhores sambas pra 2016

Como é tradição no Macuco Blog, às vésperas do 25 de dezembro desejamos Feliz Natal, rogamos por um próspero ano novo mas aproveitamos também para falar do Carnaval. Sem paganismo, sem heresia, fazemos uma breve análise dos sambas-enredos das escolas de samba do Rio de Janeiro.

sábado, 30 de junho de 2012

Antes das eleições, carnaval

Wantuir será desfalque no Rio em 2013 (foto: SRZD)

De Curitiba

Porque hoje é sábado último dia para as convenções partidárias para as eleições de outubro, milhares dessas convenções ocorrem Brasil afora até o início da noite.

Antes, porém, de mergulharmos no pleito municipal - que, diga-se de passagem, nos tem reservado cada uma - falemos um pouco de carnaval.

Sim, porque para rolar a festa em fevereiro, as escolas de samba desde já estão na labuta.

Comecemos sobre as escolas cariocas - daqui a alguns dias abordaremos as de Santos.

Olha, depois de um 2012 com os mais belos sambas dos últimos tempos, vai ser difícil para os compositores apresentarem algo parecido em 2013.

Porque os enredos definidos até o momento, com uma e outra exceção - entre elas a da União da Ilha do Governador, que vai homenagear Vinícius de Moraes - estão decepcionantes.

A Mangueira vai cometer um atentado contra a sua história e seus filhos fieis ao não falar do centenário de Jamelão. Optou por um enredo sobre Cuiabá, patrocinado pela prefeitura daquele município. Do Pará vem o apoio ao enredo da Imperatriz Leopoldinense, sobre o estado nortista.

A ala de compositores da Beija-Flor vai ter que fundir a cuca pra conseguir algo contagiante sobre a raça de cavalos mangalarga. A da Vila Isabel talvez tenha menos trabalho para tratar seu enredo, o Brasil rural.

Com patrocínio da Caras, que completa 20 anos de circulação em 2013, a Salgueiro vai falar sobre a fama. Padre Miguel e São Clemente partiram também pra enredos de apelo midiático: Rock in Rio e as telenovelas, respectivamente.

O da Portela, ainda que pouco criativo - os 90 anos da escola - parece ser o enredo do qual mais pode se esperar. Unidos da Tijuca e Grande Rio ainda não divulgaram seus temas, mas a escola de Duque de Caxias vem enfraquecida: dispensou, sob argumentos nada convincentes, o intérprete Wantuir. O público na Passarela Darcy Ribeiro corre o risco de ficar órfão do melhor puxador de samba do carnaval fluminense (depois, claro, do hors concours Neguinho da Beija-Flor).

Toda essa salada e os critérios de escolha pré-carnaval lembram ou não lembram este momento pré-eleitoral?

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Curitiba tem e dá samba sim

Mestre Márcio Brinco comanda a bateria (foto: Everson Bressan)
De Curitiba

Extraordinários os ensaios que a Acadêmicos da Realeza tem feito às terças e quintas, na Arena Mercês, antigo Vasquinho.

Mostram que na capital da terra das araucárias se samba – e se samba bem - o samba de carnaval.

O samba-enredo, sobre São Jorge, é espetacular (não é porque sou amigo dos compositores, não; o samba é bom mesmo!), tanto que é entoado com toda a garra pelo pessoal que frequenta os ensaios. Quem já sabe, tem na ponta da língua; que não sabe, basta uma colinha pra entrar no ritmo de vez.

No ensaio da última quinta-feira, dia 31, a Acadêmicos da Realeza recebeu a visita do prefeito Gustavo Fruet. Louvável a iniciativa do prefeito de verificar in loco a manifestação artística dessa comunidade curitibana, a do samba. Quem sabe, se sensibilize e, para 2014, providencie um local mais apropriado, mais digno, para os desfiles.

Os deste ano ainda serão na Cândido de Abreu, no Centro Cívico, no sábado. Pra quem quer fazer como o prefeito e se arriscar nos ensaios, semana que vem é, portanto, a última oportunidade antes da apoteose.

  • Nesta série de matérias da Agência de Notícias da Prefeitura, um registro de como as escolas da cidade estão se aquecendo para o carnaval. 
  • Aqui, a vinheta do samba-enredo 2013 da Realeza.
  • E aqui, treileir de "Caras de um carnaval", documentário sobre "a gente que vive em Curitiba e ama carnaval".

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Maria Bethânia encerra desfiles; Portela é aclamada pelo público

Apresentação portelense foi admirada pelo sambódromo
“Se neste Carnaval não tinha favorita, agora tem”. Havia 40 minutos que a Portela estava na avenida – tinha, portanto, mais 40 para completar sua apresentação – quando o veredicto foi dado por Karla Santos, integrante da equipe técnica da escola e que acompanhava, extasiada, o andamento do desfile da agremiação.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Prefeito eleito, Curitiba também tem carnaval

Equilíbrio na disputa para escolha do samba 2013 da Acadêmicos da Realeza
 De Curitiba

A alegria dos amigos autores do samba-enredo que venceu o concurso para o hino da Acadêmicos da Realeza em 2013 e todo o envolvimento da comunidade da escola na festa para escolha da música fazem a gente aproveitar este momento de troca de comando na Prefeitura de Curitiba para pedir mais atenção, do poder público municipal, ao carnaval curitibano.

Se a “mudança segura” é pra valer, e se o compromisso de investir em cultura popular é pra ser realmente cumprido, a “Era Fruet” deve olhar com carinho para essa turma do samba curitibano. Com todas as adversidades, que vão desde a escassez de recursos financeiros até a falta de um local mais adequado para os desfiles, passando pela luta contra o estigma de que Curitiba é o túmulo do carnaval, essa galera consegue produzir uma festa de qualidade, digna das tradições da folia de momo brasileira.

Faz arte, “no peito e na raça”, num trabalho passado de pai para filho, uma dedicação que envolve todas as gerações. Faz arte nos bairros mais afastados do arco central, sem muito barulho aos ouvidos do lado de cá, mas com muito som de samba ecoando no lado de lá.

O curta documental “Caras de um carnaval” (clique aqui) conta essa faceta curitibana que Curitiba resiste em reconhecer. O recém escolhido samba-enredo da Acadêmicos da Realeza (confira aqui), sobre São Jorge, é uma mostra do que se prepara para o ano que vem.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Carnaval antes do Natal

Mais uma vez, sambas da Portela e da Vila Isabel são os destaques

De Curitiba

Estamos a alguns dias de desejar um Natal feliz; antes, no entanto, vamos falar do carnaval.
É só daqui a um mês e meio mas, nas escolas de samba, certamente a contagem é regressiva e os trabalhos, acelerados.

Como tem se tornado tradição, este Macuco Blog faz breves considerações sobre os sambas de enredo - o motor de um desfile - das escolas do Rio de Janeiro. Por mais caprichada e luxuosa que for uma apresentação, se o samba falhar, difícil o desempenho da escola ser espetacular.

Deixemos a enrolação de lado, vamos ao que interessa.

Antes de mais nada, 2013 não reserva sambas fora-de-série como foram, em 2012, o da Vila Isabel e o da Portela. Mesmo assim, são delas também os dois grandes sambas deste carnaval que se avizinha. Confira:

  • Portela: samba gingado, sobre um ótimo enredo, a história do bairro de Madureira e, por tabela, da própria escola. Muito bem interpretado por Gilsinho, que a cada ano se aproxima do grupo dos grandes nomes da avenida.
  • Vila Isabel: a toada e o sotaque caipira são os destaques (o enredo é sobre a vida na zona rural). Talvez tenha se excedido em estereótipos, mas nada que comprometa. Na voz do grande Tinga, a quem assistimos no carnaval de inverno curitibano do Aos Democratas, tem tudo pra levantar a galera.
  • Beija-Flor: a turma de compositores e o inigualável Neguinho da Beija-Flor conseguiram transformar um enredo, em primeira análise, insignificante (a raça de cavalos mangalarga), numa aula de história muito bem cantada e, ao que tudo indica, muito bem sambada.
  • Unidos da Tijuca: o refrão é o destaque desse bom samba, que fala sobre a Alemanha. Mais uma vez, a escola da Zona Norte desponta como favorita.
  • União da Ilha do Governador: o samba não é ruim mas, diante do baita enredo que tinha em mãos (o centenário de Vinícius de Morais), era de se esperar mais. De qualquer forma, se mantiver o desempenho de 2012, não será surpresa se a União da Ilha ficar entre as seis em 2013.
  • Imperatriz Leopoldinense: bom samba sobre o Pará. 
  • Inocentes de Belford Roxo: engradece o samba a voz do Wantuir - depois do Neguinho da Beija-Flor o melhor intérprete do sambódromo (todavia estranhamente dispensado da Grande Rio).
  • Salgueiro: em relação ao que a gente está acosumtado a ouvir do Salgueiro, o samba deste ano, sobre a fama, ficou devendo.
  • Mangueira: vacilou em não homenagear Jamelão no ano de seu centenário. Vem com enredo patrocinado, sobre Cuibá, com um samba comum - não ruim, porém pouco contagiante.
  • Grande Rio: o samba tornou o enredo, uma defesa das atuais regras dos royalties do petróleo, quase que um enredo separatista, ao estilo "o Rio é o meu país". Olha só: "vem cá, me dá, o que é meu, é meu", diz verso do refrão.
  • Mocidade Independente de Padre Miguel, sobre o Rock in Rio, e São Clemente, sobre as novelas do horário nobre da televisão, são sambas recheados de intertextualidades.

sábado, 5 de março de 2016

Reminiscências do Carnaval III: fotos dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro

Mart'nália e Sabrina Sato, na bateria da Vila Isabel
A Quaresma já está na sua segunda metade, mas ainda seguimos a falar de Carnaval aqui no Macuco Blog. Não do Carnaval que foi o espetáculo midiático-justiceiro desta semana que passou  (me refiro ao injustificável e condenável sequestro do ex-presidente Lula, ontem, sexta, dia 4, pela surreal Operação Lava Jato).

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

É carnaval no Natal

De Curitiba

Ops, nem chegou o Natal e já estamos aqui a tratar de carnaval?

Calma, que de repente tem até a ver - afinal, com o carnaval pode se presentear no Natal.

O cd dos sambas de enredo 2011 das escolas do Rio de Janeiro já está nas lojas.

Por aqui, já se comprou, se ouviu, se repetiu. Quase se decorou.

A quem possa interessar, uma breve, intrometida e nem um pouco objetiva análise dos sambas que vão ser cantados na Sapucaí, só em março, aliás - há tempo de sobra para estar com os hinos na ponta da língua (e, aos mais hábeis, com o samba na ponta dos pés).

A ordem é a das escolas preferidas. 'Bora lá:

- Vila Isabel bela: dum enredo aparentemente bobo ("Mitos e histórias entrelaçadas pelos fios de cabelo"), saiu um samba extraordinário. Foge o padrão - além dos dois refrões tradicionais, tem um bis que antecede o segundo refrão. Este, por sinal, é o ápice da letra. Resgata Noel Rosa:

"Modéstia à parte, amigo, sou da Vila
Quem é bamba nem sequer vacila"

- Portela: a escola de Osvaldo Cruz até vem se esforçando, porém ao menos no samba mais uma vez está difícil de ser campeã. Não é ruim, mas pelo enredo ("Rio, azul da cor do mar") era de se esperar algo mais empolgante, envolvente.

- Beija-Flor: o melhor samba-enredo de 2011. Fala de Roberto Carlos, com ênfase à sua produção musical. Dois pontos altos a se destacar. O primeiro refrão é um deles:

"Quando o amor invade a alma... É magia
É inspiração pra nossa canção... Poesia
O beijo na flor é só pra dizer
Como é grande o meu amor por você"

E a deixa para o segundo refrão, uma referência aos amores do Rei:

"De todas as Marias vêm as bênçãos lá do céu..."

Ah, e o samba é entoado por Neguinho da Beija-Flor, o melhor puxador em atividade, e entre os grandes da história.

- Salgueiro: o enredo é bem carioca, típico da escola. "Salgueiro apresenta: o Rio no cinema". Tem dois refrões bons - o primeiro feito sob medida para o estilo do Quinho, o puxador. Contundo, principalmente a segunda parte do samba, é meio arrastado.

- Mangueira: bela homenagem a Nélson Cavaquinho. O segundo refrão, no entanto, é meio raivoso, no afã de exaltar a escola:

"Mangueira é nação... É comunidade!
'Minha festa', teu samba ninguém vai calar!"

- União da Ilha do Governador: o enredo, "O mistério da vida", é bem desenvolvido. O segundo refrão faz ligeira referência ao clássico samba-enredo da escola, de 1978, "O Amanhã" ("Como será o amanhã/ Responda quem puder..."):

"Hoje eu quero brindar... A Ilha
Nessa avenida dos sonhos brilhar
O meu amanhã só Deus saberá
A vida vamos celebrar"

- Imperatriz Leopoldinense: muito interessante o enredo, que fala sobre as formas de (se tentar a) cura ("A Imperatriz adverte: sambar faz bem à saúde"), e é muito bem desenvolvido pelo samba.

- Unidos da Tijuca: não é extraordinário, mas bom o suficiente pra não prejudicar o impacto que as invenções do Alexandre Barros costumam causar no público. O enredo: "Esta noite levarei sua alma".

- Mocidade Independente de Padre Miguel: depois de muito tempo não se via na escola um samba tão bom. E o puxador, o Nêgo, não é muito cheio de firula no entoar, mas muito competente. O enredo: "Parábola dos divinos semeadores".

- Porto da Pedra: o enredo, "O sonho sempre vem pra quem sonhar", faz uma bonita homenagem à escritora Maria Clara Machado.

- São Clemente: o samba é sobre a cidade do Rio de Janeiro ("O seu, o meu, o nosso Rio, abençoado por Deus e bonito por natureza"). Abusa dos lugares-comuns.

- Grande Rio: o intérprete, o Wantuir, é - tirando Neguinho, claro - o melhor atualmente. Consegue transformar um samba bom, mas comum, num samba extraordinário. O enredo é espetacular ("O Y-Jurerê Mirim - A encantadora ilha das bruxas - Um conto de cascaes"), sobre a história e histórias de Florianópolis. O samba, no entanto, não dá a devida dimensão do enredo; salva-se pelos dois contagiantes refrões graças, repita-se, ao talento do Wantuir.

É isso. Bom carnaval! Ops, antes, Feliz Natal!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Padre vai de rainha

De Curitiba

Você já viu padre montar escola de samba para sua comunidade se deleitar no carnaval?

O pároco Paulo Horneaux de Moura fundou uma, em Santos, no Macuco, 36 anos atrás.

É de lá do Macuco, para este Macuco, que chegam notícias da Mocidade Independente de Padre Paulo.

Ou Padre Paulo, como é chamada.

A Padre Paulo, campeã do carnaval deste ano (na foto, passista no desfile vitorioso), está com portal na internet.

O endereço: www.padrepaulo.com

Um áudio, na página inicial, traz o depoimento do padre Paulo Horneaux de Moura sobre sua ideia de formar uma agremiação sambista.

A Padre Paulo está com twitter também: @mipadrepaulo.

E segue bem adiantada para o carnaval 2011. O enredo está definido - "De rei ou de rainha... Essa coroa é minha". O samba, em fase final de seleção.

A bateria, magia da Padre Paulo, já vibra pros lados da Bacia.