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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Há 15 anos, a saúde pública perdia David Capistrano, vítima de ofensas parecidas com as que Dilma sofre hoje

David Capistrano e a Santos da qual cuidou

Em 10 de novembro de 2000, portanto há exatos 15 anos, morria David Capistrano da Costa Filho. Partiu cedo, muito cedo: aos 52 anos de vida. Mas deixou um legado e exemplo de luta raros.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Dez anos sem o guerreiro


De Curitiba

Se você não conhece a história deste homem, por favor, uns minutos de atenção.

É imprescindível saber o mínimo da história dele.

Afinal, este homem, David Capistrano da Costa Filho, está para a saúde pública do Brasil assim como Paulo Freire está para a educação.

Uma pena, perdemos Capistrano cedo.

Ele morreu há exatamente dez anos, em 10 de novembro de 2000, com 52 anos de idade.

Tinha complicações no fígado, decorrência do tratamento contra a leucemia, a qual havia superado 20 anos antes.

Capistrano foi um guerreiro de sua saúde e da saúde dos brasileiros.

Tratamento da aids, saúde da família, saúde mental, policlínicas públicas são programas do Sistema Único de Saúde (SUS), referências nacional e internacional, que começaram a ser implantados por David Capistrano.

Primeiro, como secretário de Saúde de Santos, na gestão da prefeita Telma de Souza, entre 1989 e 1992. Depois, como prefeito do município, entre 1993 e 1996.

Foram levados para o restante do país quando Capistrano, em 1997, integrou a equipe de Adib Jatene no ministério da Saúde.

Também foi Capistrano que colocou em prática, em Santos, o embrião do Bolsa Família, o Bolsa-Escola.

Lamentavelmente, o legado de David Capistrano ainda é pouco reconhecido.

Mesmo em Santos, Capistrano sempre foi muito injustiçado.

Uma elite conservadora e preconceituosa não engolia aquele comunista e nordestino de Recife revolucionando o município.

Apanhava diariamente da mídia local, principalmente do maior jornal, A Tribuna, e da maior rede de rádio, controlada pelo principal opositor, Beto Mansur, que depois viria a ser eleito prefeito.

O mais emblemático episódio desse ódio ocorreu com o hospital que Capistrano construiu na Zona Noroeste, em região carente da cidade, e batizou com o nome de Che Guevara. A filha de Che, médica como o pai, Aleida Guevara, até participou da inauguração.

Capistrano foi bombardeado, massacrado pela iniciativa - o tal Mansur, assim que assumiu a prefeitura, mudou o nome do hospital.

Felizmente, o tempo, sempre ele, dá conta de colocar tudo no devido lugar.

No último domingo, A Tribuna publicou bela reportagem enaltecendo a obra de Capistrano.

Nesta quarta, às 18h, uma sessão solene na Assembleia Legislativa de São Paulo vai homenagear o ex-prefeito, médico sanitarista.

Na internet, há muito tempo, porém, o Memorial David Capistrano nos conta um pouco de sua história.

Acessando lá você lê depoimentos emocionantes de Adib Jatene, de Luis Nassif, Breno Altman, José Serra, entre outros.


Hoje, Capistrano inspira várias ações, como o Humaniza Brasil: www.humanizabrasil.org.br

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Semana da Saúde David Capistrano: uma justiça a um guerreiro

Legado de Capistrano é premiado e reconhecido mundialmente
No dia em que se completam 12 anos da morte do médico David Capistrano da Costa Filho, ex-secretário de Saúde e ex-prefeito de Santos, ocorre na cidade, reunindo gestores de várias partes do país, a Semana de Saúde Pública que leva o nome dele. LEIA MAIS

domingo, 18 de maio de 2014

Santos, terra de Tam Tam

"Rádio Tam Tam", programa feito por "loucos" do antigo hospício
No Dia da Luta Antimanicomial, lembremos a data em que, 25 anos atrás, a cidade de Santos mudava a forma de tratar os doentes mentais, com programa que virou referência e foi incorporado pelas políticas públicas nacionais de saúde

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Compromissos com a Vila Gilda


De Curitiba

O ótimo Profissão Repórter desta semana retratou um pouco da realidade dos moradores do Dique da Vila Gilda, em Santos, apontada pelo programa como a maior favela de palafitas do Brasil.

Se realmente é a maior, ou extensão ou em número de habitantes, não sei.

Mas, para uma cidade que é sede do maior porto da América Latina, será centro das operações do pré-sal, assiste ao erguimento desenfreado de imóveis residenciais e corporativos de alto luxo, vizinha a um dos polos petroquímicos mais importantes do país (o de Cubatão) e estância balneária, histórica e turística, é vergonhoso abrigar trabalhadores, jovens, crianças e idosos, em condições indignas, como as do Dique Vila Gilda.

Tudo bem que está em curso, conforme ressalvou a reportagem, uma série de investimentos em moradia e saneamento que prometem transformar a favela num bairro da verdade.

No entanto, o problema já era para estar resolvido faz tempo, se o combate à exclusão social fosse prioridade da nossa sociedade - sobretudo daqueles que têm a responsabilidade de governá-la.

Lembremos, santistas, que nos anos 90 o então prefeito David Capistrano Filho iniciou o processo de remanejamento dos moradores das palafitas para casas populares. Começou a investir na urbanização do local, em infraestrutura.

E isso sem os recursos que o governo federal coloca à disposição hoje; apenas com o orçamento municipal que, proporcionalmente, era bem menor que o atual.

Mas por três gestões seguintes – duas do Beto Mansur e outra do Papa – a semente que Capistrano lançou não foi regada. Só nesta última etapa de seu duplo mandato, Papa resgatou o projeto original, com o “Santos Novos Tempos” - mencionado, indiretamente, pelo Profissão Repórter.

Apesar da lentidão, o programa parece que segue. A continuidade dele, e de forma acelerada, deve ser compromisso público; compromisso esse expresso clara e objetivamente pelos postulantes ao Palácio José Bonifácio nas eleições de outubro.

Cobremos isso deles.

O progresso de uma cidade não se mede pela altura de seus arranha-céus, nem pela quantidade de grifes que nela se instalam.

Mais sobre o Dique Vila Gilda:

terça-feira, 31 de julho de 2012

SANTOS ELEIÇÕES 2012 | Entrevista | Beto Mansur

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Mansur não descarta transferir gestão
do Hospital dos Estivadores para uma 'OS'

O ex-prefeito Beto Mansur, do PP, busca ocupar pela terceira vez o Palácio José Bonifácio e, nesta entrevista ao Macuco Blog, promete implantar o bilhete único no transporte municipal de Santos, ampliar para mais vias as faixas exclusivas de circulação de ônibus e informatizar o sistema de semáforos da cidade. Na saúde, não desconsidera a possibilidade de transferir a gestão do Hospital dos Estivadores para uma Organização Social de Saúde (modalidade de instituição não-governamental com finalidade específica). Mansur ainda discorda da avaliação de que a especulação imobiliária em Santos tem causado um processo de elitização de espaços públicos no município.

Macuco Blog | Qual sua avaliação sobre o serviço prestado pela Viação Piracicabana? Implantar o bilhete único e mais faixas exclusivas está nos seus planos?
Beto Mansur | Vamos implantar o bilhete único e ampliar as faixas exclusivas de ônibus, tanto para uso de transporte metropolitano, quanto para o transporte municipal. É preciso aperfeiçoar as linhas que servem os Morros e a Zona Noroeste. Quanto à Piracicabana, quem gerencia os serviços é a Prefeitura. Ela que tem que ser cobrada pela qualidade. Quando fui prefeito [1997-2004], eu sempre exigi e tive bom serviço, com ônibus novos e tarifa dentro do possível. Hoje a tarifa é alta porque o Poder Público não subsidia o transporte coletivo.

Macuco Blog | Como, na sua avaliação, a Prefeitura pode agir para conter a especulação imobiliária e o processo de elitização dos espaços públicos da cidade?
Mansur |
Não acho que haja uma elitização do espaço público. A Lei de Uso e Ocupação do Solo fez o metro quadrado de todos os proprietários aumentar de valor, não só dos prédios novos. Engana-se quem acha que as construtoras geraram a especulação em Santos. O que aconteceu de verdade foi uma enorme geração de empregos na construção civil, tanto que hoje é muito difícil encontrar um profissional para fazer manutenção nos imóveis, porque essas pessoas estão todas empregadas na cidade.

Macuco Blog | Qual seria, na sua gestão, a função, o papel das estatais Prodesan e CET?
Mansur |
Durante meu governo, eu recuperei a Prodesan. O prédio hoje pertence ao município, mas quando assumi a Prefeitura, os governos do PT não pagaram a conta e o município quase perdeu o prédio, que nós tivemos que recuperar. É preciso manter essa empresa, que já traz no nome o progresso e o desenvolvimento da cidade. Já a CET eu que criei [nota do Macuco Blog: a CET foi criada em 1995, na gestão de David Capistrano Filho, do PT. Na gestão Mansur a CET teve regulamentada sua função de fiscalização quando da sanção, em 1997, do Código Nacional de Trânsito]. Como deputado federal, fui o primeiro relator do Código de Trânsito Brasileiro, quando instituímos a possibilidade das prefeituras terem a CET. Como prefeito, fui um dos primeiros a implantar e ela será mantida. Vamos procurar dar o melhor atendimento ao usuário, melhorando o sistema viário e informatizando os semáforos para dar fluidez ao trânsito.

Macuco Blog | Um desafio para o próximo prefeito(a) será fazer o Hospital dos Estivadores funcionar. Quais os seus planos para a unidade? Pretende transferir a gestão para OS/Oscip?
Mansur |
Como deputado federal, já liberei R$ 1 milhão para equipar toda a ala de maternidade do Hospital dos Estivadores. Precisamos montar, estruturar e oferecer o melhor atendimento para o munícipe. Não dá para definir isso sem saber exatamente a situação do hospital e como estão os investimentos, então precisamos primeiro ter a gestão do hospital para estudar as melhores possibilidades.

Nota do Macuco Blog - Como tem feito em todas as entrevistas, o Macuco Blog deixou uma quinta questão em aberto, para que o candidato fizesse as considerações que achasse necessárias. Mansur optou por não utilizar essa possibilidade.

> Mais sobre o candidato em www.betomansur.com.br

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segunda-feira, 21 de março de 2016

Cascione, que está longe de ser petista, dá uma aula sobre a perseguição a Lula e as ilegalidades da Lava Jato

"Não é possível o Brasil fica só com a versão do William Bonner"
Formado em Direito há cinco décadas, professor da área há 40 anos, advogado com atuações em casos de repercussão, ex-deputado federal e, em Santos, reconhecido por atrair o eleitorado anti-petista da região.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Louco é quem não é feliz

De Curitiba

O ótimo Profissão Repórter, de Caco Barcelos, na Rede Globo, acaba de abordar a luta antimanicomial, e inspirou este Macuco a, com certo orgulho, relembrar que essa batalha teve início em Santos, há exatos 20 anos.

Foi em 3 de maio de 1989 que a então prefeita Telma de Souza (PT) e seu secretário de Saúde, David Capistrano (PCB, que viria a ser prefeito, entre 1993 e 1997), intervieram na Casa de Saúde Anchieta, um típico hospício, de propriedade privada.

Os choques, o isolamento dos pacientes, os maus tratos, marcas daquela "Casa dos Horrores", como os santistas chamavam a instituição, foram substituídos por tratamento humanizado e pelo suporte de uma rede, pública, de Núcleos de Atenção Psicossocial (Naps).

A experiência de Santos tornou-se referência. Mobilizou profissionais da saúde, acadêmicos, pesquisadores e gestores. Até artistas se integraram - na cidade, criaram a Tam-Tam, organização não-governamental a qual atuou em conjunto com o poder público na implantação e consolidação da nova política.

Política essa que subsidiou o Programa Nacional de Saúde Mental. Hoje, os Naps santistas, com outra nomenclatura (CAPs, Centros de Atenção Psicossocial), são encontrados Brasil afora.

Para saber mais:
- Textos na Rede Telma, clicando aqui.
- Sítio do Projeto Tam-Tam, em www.tamtam.art.br.
- Texto da mestre em Serviço Social e professora da UniSantos, Fátima Michelletti, clicando aqui.
- Texto no sítio da Fundação Perseu Abramo, clicando aqui.

domingo, 30 de setembro de 2012

Santos: caminho é pela esquerda

Momento é crucial. Opção deve ser o campo progressista (foto: WAA)
De Curitiba

A uma semana da eleição, o Macuco Blog declara o apoio a uma das candidaturas da esquerda em Santos.

Este blogueiro, como fazemos há quase três décadas lá em casa, vai de Telma de Souza, do PT. Mas recomenda também Eneida Koury, do Psol, ou Luiz Xavier, do PSTU.

Há 20 anos, Telma terminava seu mandato à frente da Prefeitura de Santos com a aprovação de nove entre dez moradores da cidade, mesmo enfrentando uma ferrenha oposição da mídia local e administrando o município numa época de grande instabilidade política e econômica do Brasil.

O orçamento era extraordinariamente inferior ao de hoje; a hiperinflação limitava a capacidade de investimentos e planejamento de qualquer gestor público. Ainda assim, Telma reformulou o transporte coletivo, urbanizou a Zona Noroeste, cuidou especialmente dos Morros, implantou a coleta seletiva de lixo, criou instrumentos que abriram caminho para a recuperação do Centro Histórico e para a possibilidade de se acabar com os cortiços no Centro Velho, levou programas culturais para as escolas. 

No governo Telma nasceram políticas na área de saúde que depois foram replicadas para o país e incorporadas pelo governo federal, como os programas de prevenção e tratamento da aids e a humanização do tratamento na saúde mental - mundialmente reconhecidos. Programas esses conduzidos pelo secretário de Saúde, David Capistrano Filho, eleito pelo povo em 1992 para suceder Telma na Prefeitura.

Enfim, Telma possui experiência, sem perder a essência do discurso progressista. Tem, portanto, credibilidade para dirigir Santos neste momento crucial de sua história.

Eneida e Luiz Xavier são mais radicais - e por radicais não se entenda "extremismo" ou "sectarismo", sim ir à raiz das questões. O voto em um dos dois é importante para sinalizar à elite santista que, embora a direita esteja a predominar, a Santos combativa, popular, resistente, resiste.

Qualquer que seja a opção, lembre-se: o crescimento com desenvolvimento só alcançamos quando caminhamos pela esquerda.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

SANTOS ELEIÇÕES 2012 | Entrevista | Telma de Souza


Município pode aproveitar investimentos
federais para grandes obras, diz Telma

A construção de Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), de uma ligação seca entre as duas margens do porto e do Mergulhão do Valongo são alguns dos investimentos que a Prefeitura de Santos pode fazer em conjunto com o Governo Federal, na avaliação da candidata do PT, Telma de Souza.  Nesta entrevista ao Macuco Blog, a ex-prefeita (1989-1992) destaca sua experiência - "o santista me conhece e sabe que eu sou capaz. Já fui prefeita e sei como é que se faz. Fiz e vou fazer de novo” - e fala ainda de suas propostas para o transporte coletivo.

Macuco Blog | Que tipos de investimentos/obras/empreendimentos urbanos a senhora considera que seria possível implantar em Santos, em parceria com o Governo Federal e que hoje não estão sendo implementados? Quais teriam prioridade na sua administração?
Telma de Souza |
O Governo Federal tem investido muito em projetos para a melhoria da qualidade de vida da população em várias cidades do País. Prova disso foi a recente liberação de R$ 348,8 milhões do Ministério da Saúde, dos quais R$ 105,2 milhões vieram para a Baixada Santista e Vale do Ribeira para a criação de 550 novos leitos hospitalares, sendo 216 de UTI. A disponibilização de recursos públicos no Brasil obedece a um critério constitucional que delimita onde cada uma das esferas – municipal, estadual e federal – participa. O Governo Federal costuma ser muito rigoroso com a qualidade e o nível de interesse público de cada projeto, por isso é extremamente necessário que os gestores municipais tenham técnicos competentes e experientes e que conheçam minuciosamente as necessidades de seu povo. O Governo Federal tem inúmeros projetos, como o de expansão das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), que já são quase 200 em todo o País, sendo 28 só no Estado de São Paulo e algumas na Baixada Santista. Santos não tem nenhuma. Está nos meus planos a criação de UPAs, principalmente na Zona Noroeste, que há muito tempo necessita muito de equipamentos desse porte. O Governo Federal já disponibilizou, recentemente, o maior volume de recursos da história da Cidade, com R$ 177 milhões para o programa Santos Novos Tempos, que ainda não saiu do papel e vai acabar com a triste realidade das enchentes na Zona Noroeste. Vamos não só executá-lo como ampliá-lo. Outra obra viária que Santos necessita urgentemente, mas que ninguém cogitou fazer até agora, é uma ligação seca entre Santos e Guarujá destinada aos veículos de carga que acessam o Porto diariamente. Como o Porto é de alçada federal, podemos estudar a possibilidade de realizar essa obra com recursos da União e da iniciativa privada.  Tem também o Mergulhão do Valongo, que até já foi orçado pelo Governo Federal, em R$ 300 milhões, e que será uma das nossas prioridades. Para que tudo isso seja realizado, é necessário que a Prefeitura de Santos e o Governo Federal estejam em plena sintonia.

Macuco Blog | Como a senhora avalia o sistema de transporte em Santos hoje? Faria uma revisão no contrato com a Viação Piracicabana? Implantaria o bilhete único e mais faixas exclusivas para ônibus?
Telma |
Corredores exclusivos de ônibus e transporte integrado, com a implementação do bilhete único, são soluções práticas e que resolverão boa parte dos caóticos problemas do trânsito e do alto custo do transporte coletivo em Santos. A Baixada Santista aguarda pacientemente há 13 anos pela implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que seria um bom reforço, bem como o túnel que ligará as Zonas Leste e Noroeste, mas o Governo do Estado não consegue viabilizar. Vamos arregaçar as mangas para concretizar essas realizações. Outros tipos de modais, como o ferroviário (para transporte de passageiros entre Santos e São Paulo, por exemplo) e o hidroviário, seriam excelentes soluções para a problemática do transporte. Um recente estudo da Codesp avaliou que a Baixada Santista tem um potencial de exploração de até 200 quilômetros de hidrovias, que poderiam ser utilizadas tanto para transporte de carga quanto de passageiros. Hoje, mesmo com tantos rios e o mar à nossa inteira disposição, esse potencial é ignorado.

Macuco Blog | Quanto à limpeza urbana, qual sua avaliação referente ao serviço prestado pela Terracom? Também considera que o contrato firmado com a prefeitura merece uma revisão?
Telma |
A limpeza pública peca principalmente no tocante ao recolhimento de entulho e móveis usados, principalmente nas áreas mais periféricas. De qualquer forma, todo contrato é passível de reanálise a qualquer tempo. De qualquer forma, vamos trabalhar firmemente para implantar e executar efetivamente a Política Nacional de Resíduos Sólidos, articulada com a inclusão social dos catadores e expansão da coleta-seletiva. A ampliação da coleta seletiva também é um plano para ser executado num curto prazo. Hoje são só 3%, vamos elevar para 35%, índice próximo do considerado satisfatório pelos padrões internacionais.

Macuco Blog | É recorrente a reclamação de demora pra se conseguir consulta nas unidades básicas de saúde - ou policlínicas, implantadas na sua gestão, entre 1989-1992. A senhora pretende ampliar o horário de atendimento das unidades, para o período noturno também? Quanto à rede de PSs, pretende instalar novas unidades ou ampliar as atuais?
Telma |
O conceito de descentralização do atendimento, desenvolvido com muito sucesso no meu governo, sob irrepreensível coordenação do nosso saudoso secretário de Saúde, doutor David Capistrano, não era apenas uma política de abertura de policlínicas indiscriminadamente. Havia toda uma estrutura de atendimento minuciosamente planejada, com equipes multidisciplinares e até horário de atendimento flexível. Não é por acaso que serviu de modelo para todo o País e entrou para a história da saúde pública. Hoje, o modelo de atendimento é o mesmo, mas a estrutura foi esvaziada, se descaracterizou. Para se ter uma ideia, há 20 anos era possível agendar atendimento pelo telefone. Hoje isso não existe mais e as reclamações no atendimento são inúmeras. No Pronto Socorro Central, as famigeradas cenas de doentes nos corredores à espera de leitos nos hospitais é recorrente. A estrutura de saúde mental, baseada nos Núcleos de Atendimento Psicossocial (Naps), é outra que foi praticamente desmontada, assim como a Maternidade Silvério Fonte, hoje instalada na Zona Noroeste. Estes serviços precisam ser reestruturados urgentemente. Em breve a rede de saúde de Santos ganhará o reforço do Hospital dos Estivadores, que será um apoio e tanto, desde que bem gerido. É notório que a Prefeitura, sozinha, não terá condições de arcar com o sustento do Estivadores. Por isso, insisto, precisaremos de gestores preparados e que tenham intimidade com todo o processo de busca de verbas através de projetos. O Governo Federal será, sem dúvida, um parceiro em potencial. E eu me empenharei pessoalmente para estabelecer essa relação permanentemente.

Macuco Blog | Fique à vontade para fazer considerações outras que achar necessárias.
Telma |
O santista me conhece e sabe que eu sou capaz. Já fui prefeita e sei como é que se faz. Fiz e vou fazer de novo. Santos vive um novo momento, um novo ciclo econômico que já irradia seus efeitos que, muitas vezes, têm sido negativos. O boom imobiliário é prova disso. Não sou contra o desenvolvimento do setor imobiliário, mas é preciso saber como fazer para que os espigões que estão sendo construídos por todos os cantos da cidade não acabem com a nossa qualidade de vida. O santista está sendo gradualmente expulso para cidades vizinhas. Isso é muito grave, corremos o risco de estar fomentando um rico centro econômico cercado por um bolsão de pobreza. Não é esse o desenvolvimento que queremos, mas sim o desenvolvimento com qualidade de vida. O momento é delicado, não nos permite correr riscos. É para garantir essa qualidade de vida e preservar Santos e o santista que eu quero ser novamente prefeita de Santos.

> Mais sobre a candidata em www.redetelma.com.br

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