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sábado, 12 de abril de 2014

Sete Caixas, o maior sucesso do cinema paraguaio, chega ao Brasil

Aclamado, filme também estreou nos EUA, na segunda


Com a maior bilheteria da história do cinema paraguaio, o filme Sete Caixas (Siete Cajas, título original) chegou ao Brasil nesta semana. Lançado no Paraguai em 2012, a produção foi considerada revolucionária para os padrões do país e traz diversas inspirações de grandes clássicos do cinema mundial, entre eles, o brasileiro Cidade de Deus. Mas apesar das referências, em nenhum momento Sete Caixas perde em originalidade.

Em 2011, Sete Caixas foi considerado o melhor filme no Festival Internacional de Cinema de Brasília, no Festival de San Sebastián, de Miami e Palm Springs. Em 2013 foi o Melhor Filme Ibero-Americano e indicado ao Prêmio Goya.

Com personagens cativantes, Sete Caixas é um suspense em dois idiomas, Espanhol e Guarani, ambos oficiais no Paraguai. A história se passa toda no Mercado Municipal de Assunção, capital do país, e ainda assim é capaz de prender o público do início ao fim.

Minimalista, Sete Caixas mostra os conflitos do jovem Victor, encantado por vídeo, disposto a muito para ter um celular capaz de capturar imagens estáticas e em movimento. Passa os dias carregando compras de clientes no mercado municipal quando recebe a proposta de vigiar sete caixas, com um conteúdo desconhecido, e só voltar a entrega-las quando for chamado. Com a ajuda da amiga Liz, Victor topa o desafio e a partir de então a história se torna cada vez mais cativante.

Primeiro longa metragem dos diretores Juan Carlos Maneglia e Tana Shémbori, Sete Caixas já estrou nos Estados Unidos na segunda-feira (7) e teve sucesso de público. No Brasil o filme é distribuído pela Tucuman.

Clique aqui e assista ao treiler do filme.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A midia tradicional mente descaradamente sobre a Petrobrás

Navio Irmã Dulce: estatal reconstruiu indústria naval brasileira (foto: Petrobrás)
Postado de Curitiba

A Petrobrás foi a empresa brasileira que registrou o maior lucro em 2013: R$ 23,5 bilhões, superando o lucro obtido em 2012, de R$ 21, 1 bilhões (saiba mais aqui).

Só no mês passado, a companhia pública bateu recordes 
  • i) na produção de petróleo no pré-sal; 
  • ii) no processamento de petróleo em suas refinarias; 
  • iii) na entrega de gás natural; e 
  • iv) na produção de fertilizantes (confira os números aqui).

A Liquigás, que pertence à Petrobrás, acaba de alcançar a liderança na distribuição de gás de cozinha.

Estes são os fatos e os dados.

Mas nas capas das revistonas desta semana que está acabando, nas manchetes dos portalões e jornalões e nas reportagens dos jornais da Globo nos últimos dias, o que se vende é a imagem de uma empresa deficitária, em ruínas.

É a “imparcialidade”, a “neutralidade”, a “pluralidade”, a “independência”. Independência, só se for da verdade.

Não à toa a grande imprensa recebeu a alcunha de PIG, Partido de Imprensa Golpista.

Mais do que nunca, nessa cobertura que ignora os fatos e os dados e leva em conta exclusivamente as versões, o comportamento de boa parte da midiona é a de um partido político de oposição.  

Não só de oposição ao atual governo, sim de oposição aos interesses nacionais.

A serviço, por outro lado, do poder. Do poder econômico, do capital internacional.

A serviço do poder dos especuladores, que não se conformam: em tempos anteriores, a Petrobrás primeiro agia para assegurar ganhos aos apostadores da bolsa, nem que para isso sacrificasse a nação repassando automaticamente aumento do barril do petróleo ao preço da gasolina e do diesel.

A campanha de destruição da imagem da Petrobrás, nem que para isso se passe por cima dos fatos, 
  • i) contempla o poder econômico, os interesses privados internacionais; 
  • ii) procura desgastar o governo de Dilma Rousseff para favorecer os candidatos queridinhos do mercado (Aécio Neves e a dupla Eduardo Campos-Marina Silva).
Mais na cara que isso, impossível.
 
Repito aqui a pergunta lançada neste editorial do Jornal do Brasil (este sim, tem feito uma cobertura baseada na realidade factual): “Campanha contra Petrobrás será caminho para, no futuro, justificar privatização?”

Leia também, por Luís Nassif:

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Em sonho, conversa com prefeito sobre os ônibus superlotados de Curitiba

Fila é tão extensa que mal se enxerga a estação tubo (foto: WAA)
Postado de Curitiba

Na última noite sonhei que estava num evento onde conversava com o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT).

Duma conversa maluca, como são essas de sonho, lembro-me de uma parte bem lúcida.

Reclamava com Fruet da superlotação (e isso é da vida real) do transporte coletivo curitibano.

Na campanha eleitoral de 2012 por várias vezes o então candidato prometera, de imediato, ampliar a frota em circulação no horário de pico.

À época, considerava, e ainda hoje considero, insuficiente a medida.

Porque a superlotação dos ônibus em Curitiba não decorre da escassez de veículos nas linhas.
 
Decorre é da falta de opções de linhas.

O modelo, planejado 40 anos e implementado nos anos 80 e 90, é baseado sobretudo em quatro eixos principais: o Norte-Sul, o Leste-Oeste, o Boqueirão e o anel do Inter II.

Praticamente 90% dos usuários de ônibus precisam, em algum ponto de seus deslocamentos, tomar uma das linhas desses eixos.

Até 15 anos atrás, o sistema comportou a carga satisfatoriamente. Só que de 20 anos para cá a cidade e a região metropolitana cresceram demais – em população e em zona urbana, em polos geradores de tráfego.

Não dá mais para concentrar todo o sistema de ônibus da cidade nesses poucos eixos. É preciso criar mais rotas, alternativas, paralelas, perpendiculares e transversais, para aliviar a sobrecarga dos eixos atuais.

Não adianta também, por exemplo, canaleta exclusiva para o Inter II, como propõe a Prefeitura – e isso disse explicitamente ao prefeito, no sonho. O que vai trazer agilidade e conforto nos deslocamentos é um maior número de linhas, de itinerários, que sejam complementares e suplementares à área de abrangência do Inter II. 

O mesmo vale para as rotas dos biarticulados. 

Não resolve entupir as canaletas com mais ônibus. Nos horários de pico se formam filas gigantescas de ônibus para encostar nas estações tubos, abarrotadas, com filas quilométricas do lado de fora.

O que resolve é implantar outras linhas, auxiliares, para que nem todo mundo precise se aglomerar na mesma estação para tomar o mesmo ônibus.

Claro que isso não interessa às viações. Mais econômico é direcionar toda gente para um lugar só, socar todos em poucos tubos, embarcar nos mesmos veículos.

Mas aí deve entrar em cena a disposição do administrador público em afrontar os interesses privados que se sobrepõem aos da coletividade. Isso não cheguei a explicitar a Fruet no sonho, todavia certamente ele terá entendido.

sábado, 5 de abril de 2014

Dica para o fim de semana: as séries de Sílvio Tendler

Episódios estão disponíveis na internet
Postado de Curitiba

Porque hoje é sábado, vai uma dica pro fim de semana.

Uma não, duas dicas.

Duas séries de Sílvio Tendler, transmitidas pela TV Brasil em memória dos 50 anos do golpe de 1964.

Os episódios das séries estão disponíveis na internet.

Uma delas é "Os advogados contra a ditadura", que traz depoimentos daqueles que largaram suas confortáveis e financeiramente promissoras carreiras para defenderem perseguidos e presos políticos.

A face das Forças Armadas contrária ao regime

A outra, "Militares da Democracia", conta a história de integrantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica que se opuseram ao golpe, resistiram aos desmandos da ditadura e, tal qual militantes civis, também foram encarcerados e torturados.
As duas séries são um primor, do ponto de vista cinematográfico e histórico.
 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

TV Excelsior e Panair, destruídas pelo golpe de 1964


Reportagem de Luiz Carlos Azenha, para o Jornal da Record, sobre a perseguição da ditadura ao empresário Mário Wallace Simonsen, barão do café dono da Panair e da TV Excelsior.

No final da matéria, trecho do depoimento comovente da filha de Simonsen à Comissão da Verdade.


terça-feira, 1 de abril de 2014

Entre tantas memórias do golpe, espaço para as de Waldir Pires

Waldir Pires integrou o gabinete de Jango (foto: Agência Câmara)
Postado de Curitiba

Dia destes assisti a esta entrevista-documentário com Waldir Pires. A produção é da TV Câmara e o filme, de 54 minutos, está lá no site para ser livremente baixado.

Waldir Pires integrou o governo João Goulart e era dos mais próximos do presidente.

Neste momento em que o Brasil relembra os 50 anos do golpe de 1964, vale dedicar um tempo para ouvir o relato de Waldir Pires.

Primeiro, porque é a versão de quem viveu aquele período no centro dos acontecimentos. Waldir Pires resgata fatos daquela época com didatismo, lucidez e emoção.

Além disso, porque Waldir Pires é dos mais íntegros políticos brasileiros. Ouvir o que ele conta é, ao mesmo tempo, conhecer sua exemplar trajetória.

domingo, 30 de março de 2014

Breve passeio por Curitiba em 1990

                                         

É como entrar numa máquina no tempo assistir a este vídeo.

É um passeio por ruas de Curitiba, em 1990.

Ao som de Simone, como é este outro vídeo aqui, um passeio pela Santos de 1988.

Boa viagem!

sábado, 29 de março de 2014

Parabéns, Curitiba. E muito obrigado!

Jardim Botânico (foto: WAA)
Postado de Curitiba

29 de março, aniversário da terra que me acolheu, minha segunda pátria.

Apesar de detestar o gelo que (por vezes) você faz, te gosto muito.

Muchas gracias, Curitiba!

quinta-feira, 27 de março de 2014

Chove, chuva. Mais uma chuva de gols na Vila Belmiro

Em nove partidas no Urbano Caldeira este ano, 30 gols (foto: SFC)
Postado de Curitiba

Fiquei sabendo que choveu muito no início desta noite em Santos.

Vi, pela televisão, que na Vila Belmiro choveu.

Choveram gols.

Como tem chovido nesta temporada.

Outra goleada do Peixe, desta vez 4 a 0 sobre a Ponte Preta, em jogo decisivo, quartas-de-final do Paulistão.

Surpreende nessa equipe do Santos a marcação incessante na saída de bola do adversário.

Impressiona a transição rápida da defesa para o ataque. Os contra-ataques são velozes e fulminantes, mesmo quando o time já está com dois, três gols de vantagem.
 
Satisfaz o jogo em equipe; o conjunto se sobrepondo às individualidades. Tanto assim que três dividem a artilharia, com sete gols cada: Cícero, Geuvânio e Gabriel Barbosa. Leandro Damião tem aberto mão de buscar as redes para servir os companheiros - a assistência de bicicleta que fez no jogo de hoje foi magistral (confira aqui).
 
E reconheça-se o mérito do técnico Oswaldo de Oliveira. Não poda o DNA ofensivo alvinegro, tampouco inventa moda. Deixa cada um jogar dentro da sua característica, em prol do coletivo.
 
A gente sabe que o futebol às vezes é ingrato. Nem sempre que está dando a bola, ganha. Mas agora, ao menos no Campeonato Paulista, agora quem dá a bola é o Santos. Em busca de mais um título. Oxalá o venha, para coroar a fase.

segunda-feira, 24 de março de 2014

O maniqueísmo dizimando o debate sobre o marco civil da internet

Projeto é resultado de dois anos de discussão (foto: Agência Câmara)
Postado de Curitiba

Pela enésima vez desde outubro, em mais uma semana que começa espera-se que o marco civil da internet seja, enfim, colocado em votação no plenário da Câmara dos Deputados.

Diante de sucessivas previsões de inclusão da matéria na pauta, temos alertado neste blog para a necessidade de cidadãos e cidadãs pressionarem seus deputados e deputadas para que aprovem o marco civil da internet, sobretudo o ponto que assegura a neutralidade da rede.

(Para saber o que é neutralidade da rede e entender por que é preciso garanti-la, assista a este vídeo aqui, curto, bem humorado e didático)

Reiteramos o pedido: exija que o deputado em quem você votou, ou o deputado que tem base eleitoral em sua região, vote a favor da neutralidade da rede.

Mas desta vez o motivo principal da postagem é alertar para os riscos que o maniqueísmo que tem assolado o debate político no Brasil - em especial aquele "debate" travado nas redes sociais - estão a ocasionar.

(O que é maniqueísmo? Este texto aqui lhe explica)

A direita costuma acusar a esquerda de ser maquineísta, todavia é o contrário o que se tem visto.

Especificamente nesse assunto do marco civil da internet, começam a pipocar nos facebooks da praça campanhas pedindo "não" ao marco civil como forma de "votar contra, derrubar o PT".

Só a falta de informação, ou a informação deturpada, ou a má-fé para levar alguém cometer e difundir essa sandice.

O projeto de lei do marco civil da internet (PL 2126/2011) é, de fato, um projeto encaminhado ao Congresso pelo Executivo - isto é, pela Presidência da República, cuja titular é a nossa Dilma Rousseff, do PT.

A proposta, no entanto, é resultado de dois anos de discussão com a sociedade. Por meio da mobilização de diversas organizações sociais, itens essenciais para garantir amplo e irrestrito acesso e produção de conteúdo na internet foram incluídos no projeto.

Não é, portanto, um projeto do PT. É um projeto resultado de demandas da sociedade que o governo do PT, sim, acatou.

Mas que beneficia quem é a favor do governo do PT, quem é contra, quem não é a favor nem contra e muito pelo contrário, quem é a favor em algumas coisas e contra em outras, e quem não sabe se é a favor ou se é contra.

O marco civil da internet, em especial a neutralidade da rede, assegura internet livre a todos, inclusive ao mais ferrenho opositor do PT.

Sem a neutralidade da rede, as empresas que prestam serviço de conexão (operadoras de telefonia e telecomunicações) passarão a cobrar pelo que você acessa a internet, e não pela velocidade com que acessa, como é hoje.

Sem a neutralidade da rede, as operadoras vão poder cobrar mais caro de você (seja contra ou a favor do PT, ou tanto faz) pra você acessar as páginas, sites mais "nobres", como são hoje facebook, twitter, facebook, youtube. Quem não tiver grana pra pagar mais, vai ter que se contentar em acessar só e-mail ou sites menos procuradas.

Assim, pra você postar algo contra ou a favor do PT, ou qualquer outra coisa, se quiser utilizar as redes de maior audiência vai ter que comprar um pacote mais caro pra ter acesso a elas. E você só vai conseguir mostrar, exibir sua postagem a quem tiver dinheiro para pagar pacotes mais caros que incluam acesso a sites mais requisitados.

Está evidente: "barrar" o marco civil da internet, a neutralidade da rede, não é "barrar o PT" ou "derrotar o governo". É tornar a internet livre um privilégio para os mais ricos. É impedir que os intresses econômicos de uma minoria (meia-dúzia de operadoras) não se sobreponha ao interesse coletivo, ao direito à comunicação social.