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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Dilma terá de correr para escapar da zona do rebaixamento em reforma agrária

Protesto dos sem-terra nesta quinta, em Aracaju (foto: MST)

De Curitiba

A presidenta Dilma Rousseff lançou nesta quinta-feira, dia 17, um plano de fomento à agroecologia e, segundo a Rede Brasil Atual, parece ter feito um mea-culpa sobre a pífia dedicação de seu governo ao tema da reforma agrária.

Prometeu, até o final do ano, publicar 100 decretos de desapropriação de terras improdutivas para destinar a quem quer e precisa de área para plantar e, da roça, tirar o sustento.

Dilma precisa correr contra o tempo para sair da zona do rebaixamento entre os governos que menos destinaram terras para a reforma agrária.

Até o Estadão, assumidamente pouco afeito às causas dos sem-terra, não deixa de destacar – nesta matéria de Roldão Arruda, reproduzida pelo site do MST – o desempenho série D do governo Dilma na questão agrária.

Embora prevista na Constituição de 1988, cujos 25 anos foram recém-completados, a reforma agrária é um passivo secular que os governos, quase sempre vinculados ao interesse do capital, insistem em ignorar.

(João Goulart ousou enfrentar o problema e, por essas outras, foi deposto pelo poder econômico)

É evidente que a reforma agrária é a solução, na raiz, para boa parte dos problemas da sociedade brasileira.

A reforma agrária combate o êxodo rural que ocasiona o inchaço das grandes cidades que por sua vez acentua a exclusão, a qual gera violência. A reforma agrária garante a expansão da produção de alimentos em modelo independente das regras de mercado do agronegócio. Maior oferta de alimentos é comida a preço mais baixo – é mais gente alimentada, é menor pressão inflacionária.

Enfim, os argumentos em defesa da reforma agrária estão por aí em livros e teses, incontestes.

Voltemos à matéria do Estadão.

“Do ponto de vista da redistribuição de terras”, começa o texto, “2013 caminha para ser o pior ano da reforma agrária desde o início do período da redemocratização, em 1985. Faltando menos de três meses para o fechamento das atividades do ano, a presidente Dilma Rousseff ainda não assinou nenhum decreto de desapropriação de imóvel rural, por interesse social, destinando-o para a criação de assentamentos rurais”.

Em seguida a matéria aponta o inacreditável – e inadmissível: Dilma segue rumo à triste marca de “superar” o governo de Fernando Collor de Melo em inércia no assunto.

Da coordenação nacional do MST, Alexandre Conceição foi taxativo ao repórter: “O governo Dilma é refém do agronegócio”.

Deplorável, todavia irrefutável, diagnóstico.

Basta ver a senadora godiva do latifúndio toda serelepe na defesa do governo.

Basta ver a Caixa, em propaganda há algumas semanas no ar, estrelada pela espetacular Paula Fernandes e por Almir Sater, se orgulhando de ser também “o banco do agronegócio”.

O pior é que tão cedo não seremos libertados.

Desses ditos no páreo na disputa da Presidência da República, não tem um – nem Marina Silva, nem Eduardo Campos, muito menos Serra ou Aécio Neves – com coragem para tentar o resgate. Pelo contrário, estão comprometidos com os sequestradores até o pescoço.

Tá tudo nas cartas.
 

Ufa! Não foi dessa vez que ganhei na mega-sena


Este bilhete sim, pode ser premiado (foto: WAA)
De Curitiba

Vez por outra jogo na mega-sena, entretanto quase sempre me esqueço de conferir o resultado.

De modo que a recente notícia sobre “um apostador do Paraná” que havia acertado na loteria mas ainda não tinha procurado nem a lotérica nem a Caixa Econômica Federal para sacar seu prêmio, essa me assustou.

Vá que esse apostador tenha sido eu?

Aí lendo melhor a notícia, constato que o apostador é de Ponta Grossa.

Moro em Curitiba, portanto...

Ops, logo em seguida me dou conta que costumo jogar na mega justamente quando estou fora da cidade. Uma, digamos, espécie de superstição involuntária.

Ponho-me, então, a viajar na memória para conferir se estive por Ponta Grossa tempos destes.

Não, não estive. Ufa!, não foi dessa vez que deixei escapar uma chance única. Bom, por outro lado... também não foi dessa vez que ganhei na mega sena.

Diante disso, e em Curitiba mesmo, fiz uma fezinha no concurso que correu ontem, quarta-feira, 16 de outubro.

Tão logo termine e publique este post, checarei o resultado do sorteio.

O caso do apostador de Ponta Grossa passou fino, serviu pra deixar a gente mais esperto.

Tem coisa que não acontece nem uma vez, duas então...

terça-feira, 15 de outubro de 2013

É a semana do "Curta Santos"

Cine Roxy, um dos lugares onde ocorre o festival (foto: Divulgação Curta Santos)
De Curitiba

Olha aí, pessoal da Baixada Santista, imperdível nesta semana a 11ª edição do Curta Santos, festival de cinema que reúne exibições de inéditos, mostra competitiva, debates e oficinas ligadas à sétima arte.

Começa hoje, dia 15, Dia dos Professores, e segue até sábado, dia 19.

A programação ocorre no Sesc Aparecida, no Cine Roxy, na Sala Toninho Dantas (Centro Cultural Zona Noroeste), na Oficina Cultural Pagu, na Vila do Teatro, no Australiano Bar e no Torto MPBar.

Entre os filmes a serem exibidos, destaques para os longas "O dia que durou 21 anos", "A memória que me contam" e "Cores".
(Confira a programação completa no site www.curtasantos.com.br)

Infelizmente não estarei em Santos nos dias do festival, mas indico pra quem está e, daqui de Curitiba, na medida do possível acompanharei o desenrolar pela internet.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Saudades d' A Gazeta Esportiva

Uma das históricas capa d' A Gazeta Esportiva
De Curitiba

comentei aqui que duas leituras foram fundamentais pra minha alfabetização – os gibis da Turma da Mônica (gostava – gosto – sobretudo do Chico Bento) e o jornal A Gazeta Esportiva.

Pois esta semana foi de recordação daquele tradicional e saudoso diário de esportes, que completou 66 anos de fundação na quinta-feira, dia 10.
Na verdade, jornal mesmo, impresso, de apanhar e folhear com as mãos, de guardar em pastas as matérias mais interessantes e as edições históricas, este não existe mais desde 2001.

Até então, meu pai trazia um exemplar todos os dias, quando voltava do trabalho. Lembro-me de, ainda aprendendo a ler, acompanhar a tabela de classificação dos campeonatos e as ilustrações, legendadas, dos principais gols da rodada.

A Gazeta Esportiva não resistiu à expansão da internet e à concorrência com o então novato Lance e deixou de circular, há 12 anos. Mas se mantém na praça, unicamente como site de notícias (www.gazetaesportiva.net).

Perdeu, claro, aquele encanto, todavia continua sendo minha principal fonte de informação sobre esportes.

“A Gazeta” está com uma página na internet em que conta sua trajetória: www.gazetaesportiva.net/blogs/aniversario-ge

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Sobre a Marina Silva de quem me perguntam

Botava mais fé na Marina do Lula do que na do "Dudu"
De Curitiba
 
Por estes dias me andam a perguntar “o que acho” da Marina Silva.

Tem uma biografia exemplar, digna de consideração, respeito, admiração.

Mas está se perdendo, e rasurando sua biografia.

Desde pelo menos 2010, mudou-se para o campo da neodireita.

Tem pose e forma novas, porém o recheio é velho.

Deixou de combater o capital financeiro, o grande sanguessuga dos nossos recursos. Mais que isso, aliou-se-lhe. Não assume (o que é pior); esquiva-se com blá-blá-blá.

Não fala uma palavra, não escreve uma linha defendendo a reforma agrária, como antes. Sai pela tangente com essa de “produção e manejo sustentável”. Mais blá-blá-blá.

Democratização da mídia, taxação das grandes fortunas, fortalecimento do Estado, essas bandeiras da esquerda do passado de Marina também foram pro baú e substituídas por estandartes tucanados neolacerdinhas, como diria o Juremir Machado.

Enfim, um blá-blá-blá nem de esquerda, nem direita, nem de centro - e vice-versa, muito pelo contrário - o qual, óbvio, não me convence.

No "socialista neoliberal"  Eduardo Campos, encontrou o par ideal.

Uma pena.

Seria muito bom se pudéssemos contar com Marina Silva, da biografia exemplar, como uma alternativa mais à esquerda.

Neste texto, de 2010, falo da decepção que começava a surgir à época, com a "neutralidade" da então candidata do PV.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Nas curvas da estrada de Santos

Imigrantes, vista da Anchieta, e Santos lá embaixo (foto: WAA)
De Curitiba
No último domingo duas raridades na descida da Serra do Mar, de São Paulo para Santos.

Primeiro, o tempo aberto. Difícil, seja pela Anchieta ou pela Imigrantes, não topar com neblina.

Quando ela não aparece, a vista da Baixada Santista é límpida. E linda.

Dá pra identificar detalhes da paisagem lá de baixo.

Espanta, por exemplo, como está se verticalizando o Morro da Nova Cintra.

Outra exceção é a pista livre. Tudo bem que era domingo, horário de almoço, quando há pouco movimento tanto rumo ao porto como de turistas de um dia.

Mas é que os congestionamentos na descida da Serra têm sido tão frequentes e intensos que o trânsito fluindo normalmente, surpreende.

Sorte aproveitar essa combinação.

Até uma próxima.

sábado, 5 de outubro de 2013

Final de semana marca um ano do último triunfo eleitoral de Chávez

Chávez, no canto, fala à multidão, no encerramento da campanha de 2012 (foto: AVN)
De Curitiba

Os meus seguidos e seguidores da Venezuela no twitter relatam que este final de semana é de muita lembrança e saudade no país.

Há um ano, encerrava-se o processo eleitoral que daria mais uma vitória para Hugo Chávez.

E não era apenas um mero processo eleitoral, embora ir às urnas tenha se transformado em rotina com a Revolução Bolivariana.

O processo eleitoral de 2012 foi de resposta popular incisiva contra a direita venezuelana, patrocinada pelos Estados Unidos e amplamente repercutida no Brasil pelos veículos de comunicação tradicionais e seus analistas.

Primeiro, porque, quando se descobriu o câncer em Chávez em junho de 2011, se decretava, na mídia conservadora, que Hugo Chávez não sobreviveria até o processo eleitoral.

Sobreviveu.

Depois, a direita e a mesma mídia alardeavam que Chávez não teria condições de saúde para mergulhar fundo na campanha.

Mergulhou.

O 4 de outubro de 2012, recordado nesta sexta, entrou para a história como o dia em que um comício político mais reuniu gente em torno de um candidato.

Milhões, incontáveis, milhões de pessoas enfrentaram a chuva, banharam de vermelho pelo menos sete grande avenidas da capital, Caracas, para ouvir as palavras do comandante no encerramento daquela campanha.

(Clique aqui e confira fotos; e aqui, sensacional vídeo)

Observava-se, na mesma mídia conservadora, que daquela vez a oposição de direita tinha encontrado seu rumo com um candidato que representava o “novo”.

A “novidade” era Henrique Capriles, um dos protagonistas do golpe fracassado que tentou derrubar Chávez em 2002.

Ponderava-se, ainda na mídia conservadora, que mesmo não sendo tão “novo” assim, Capriles tinha mudado seu discurso, garantindo manter as conquistas da Revolução Bolivariana (que essa mesma mídia e a direita sempre omitiram), e que por isso podia ser considerado favorito a levar o pleito.

Perdeu.

O voto na Venezuela é facultativo e 7,4 milhões de eleitores (quase 55% dos que foram às urnas) escolheram Chávez – praticamente dez pontos percentuais de diferença em relação ao opositor.

A eleição foi em 7 de outubro de 2012. Há um ano, a Venezuela mais uma vez depositava em Chávez a confiança para seguir transformando.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A Cristina de Tim Maia

No LP de Bezerra da Silva, o cacófato
De Curitiba
 
A Revista Fórum deste mês traz uma série de matérias sobre drogas - a política repressiva de combate, a liberalização em alguns países como mecanismo para estabelecer maior controle, a internação compulsória, a forma como a sociedade historicamente encarou assunto, entre outros pontos.

Uma dessas matérias, bem curiosa, é sobre como o tema aparece na música brasileira: as letras que lançam mão dos trocadilhos, aquelas que se utilizam das metáforas, algumas com mensagem implícita e outras mais explícitas na abordagem.

A matéria tem quatro páginas, cita casos mais conhecidos, alguns pouco falados e um, para mim, que foi uma baita surpresa.

Refiro-me a "Cristina", de Tim Maia.

Pra quem não conhece, a letra é a seguinte (pra escutar, acesse aqui):

Vou-me embora agora pra longe
Meu caminho é ida sem volta
Uma estrela amiga me guia
Minha asa presa se solta, eu

Vou ver Cristina, vou ver Cristina, vou ver Cristina

E por onde vou, vou deixando
Marcas do meu peito sangrando
Vou cobrir as flores da estrada
De um vermelho amor, madrugada, eu

Vou ver Cristina, vou ver Cristina, vou ver Cristina

Preciso ver Cristina, minha menina
Preciso ver Cristina, minha menina
Preciso vê-la, Cristina minha menina

Acho letra e música sensacionais - queria eu ter talento pra fazer uma declaração dessas.

A surpresa é que, segundo a matéria - assinada por Pedro Alexandre Sanches -, "'vou ver Cristina' era eufemismo da turma de Tim para dizer 'vou fumar maconha'". O jornalista continua: "Os consumidores de 'Cristina', a canção, ficavam (será?) por fora. Era tempo de brincar (brincar?) de esconde-esconde". A música é de 1970.

Que viagem, não?

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Requião, 2013. Brizola, 1989. E o poder da Globo sendo contestado


De Curitiba

Raríssimas são as lideranças neste país que ousaram questionar o poder tido como inconteste da Rede Globo.

Atualmente, só conheço o senador Roberto Requião como figura a contestar as organizações da família Marinho.

Nesta quinta-feira, dia 26, na tribuna do Senado, em pronunciamento no qual rechaça matéria publicada pelo jornal O Globo do último domingo, Requião radicalizou.

Lembrou Leonel Brizola, outro que não tinha dúvidas: o Brasil só sai do atraso quando deixar de ser refém dos interesses globais.

Acima, o vídeo do pronunciamento de Requião, 2013. Abaixo, um de Brizola, 1989.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Uma didática defesa do cancelamento do leilão do petróleo

Plataforma P-55 da Petrobrás, em fase final (foto: Petrobrás)
De Curitiba

Como tuitei na terça-feira, dia 24, tia Dilma foi espetacular em seu discurso na abertura da assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU).

Agora, se realmente ela estiver disposta e com coragem para defender a soberania da nossa nação - acrescentei na tuitada -, tia Dilma deve por fim a esse entreguismo que são os leilões promovidos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

(Herança do governo neoliberal do PSDB-Dem, que Lula conseguiu frear quando da descoberta das reservas do pré-sal, mas que parece retomada a todo vapor)

Neste texto a seguir, uma das lideranças mais lúcidas deste país, João Pedro Stédile (do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, o MST), é didático na defesa do cancelamento dessa aberração de leilão.

O texto é longo; aqui vai um trechinho dele e o link para íntegra, puxada do Vi o Mundo, do Luiz Carlos Azenha.

Repito: Stédile é bem didático, claro. Vale ter paciência e ler até o fim para compreender o que se passa:

"No dia 21 de outubro, a Agencia Nacional de Petróleo vai leiloar o maior campo de reservas de petróleo brasileiro, encontrado a 180 km do litoral, com sete mil metros de profundidade.

Lá estão depositados comprovadamente de 12 a 14 bilhões de barris de petróleo. Equivalem a todas as reservas do México. Corresponde a tudo que a Petrobras já explorou nos seus 60 anos de existência.

A importância estratégica para o país é tão grande que durante o debate do segundo turno, da campanha de 2010, a candidata Dilma Rousseff disse que o candidato José Serra queria privatizar e fazer um leilão do petróleo, e que isso era inadmissível, pois o pré-sal deveria ser uma riqueza a ser utilizada apenas em favor do povo brasileiro”.

Três anos depois, em mensagem pública em rede de televisão, a presidenta muda o discurso e assume o que Serra queria fazer, leiloar as reservas do pré-sal para iniciativa privada.

(...)

Pela Lei de Partilha, aprovada durante o governo Lula, há um artigo que diz que a União poderá entregar toda a reserva do pré-sal para exploração exclusiva por parte da Petrobras, sem necessidade de leilão. Por que não fazemos isso?

O governo e os colunistas nos jornais têm defendido que a Petrobras está endividada e não tem caixa para investir. O BNDES tem uma política de crédito para tantas empresas privadas, inclusive transnacionais e picaretas em geral, como o Eike Batista. Por que não poderia emprestar para Petrobras?

Por que o Tesouro Nacional – em vez de pagar juros a meia dúzia de especuladores de títulos da divida interna, que levam R$ 200 bilhões por ano – não aplica recursos em investimentos do pré-sal?"

Continue lendo este e outros artigos sobre o assunto clicando aqui.